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Controle a mente e emagreça com sucesso

12/11 - 00:05 - Agência Estado

Controle a mente e emagreça com sucesso Por Giuliana Reginatto São Paulo, 08 (AE) - Paula Bonato Gialluisi já desejou emagrecer dormindo - como prometem alguns dos anúncios mais populares do mercado estético. E logo percebeu que não perderia peso sem esforço, físico ou mental.

Em 13 anos de guerra contra a balança, ela testou todo tipo de arma: personal trainer, terapia, dieta, fórmulas naturais, remédios e até meditação. "Gastei muito dinheiro, já passei mal e nada resolveu. Chorava e devorava um pudim inteiro", conta.

O pudim de Paula agora virou um retratinho preto e branco, desses de jornal. É assim que ela imagina o doce sempre que a vontade de devorá-lo parece ameaçar sua nova silhueta: aos 34 anos, perdeu dez quilos por meio da ‘reeducação mental’. "Tente imaginar a comida que você mais gosta como uma imagem sem graça, sem cor. A vontade de comer diminui", ensina. O truque é parte de uma cartilha elaborada pelos profissionais da Programação Neurolingüística, a PNL. Trata-se de uma técnica baseada na idéia de que mente e corpo interagem para criar a percepção que cada indivíduo tem do mundo e seus elementos, inclusive os doces. "Todo emagrecimento começa pela mente, mas as pessoas tratam o problema de fora para dentro. Elas transferem a responsabilidade pela perda de peso para o SPA ou para algum remédio. Com a chegada do verão, a situação se agrava. É como se você já se predispusesse a engordar: ao prever que vai comer muito na ceia de Natal, já começa a se ‘preparar’ para isso", diz a psicóloga Walkyria Coelho, instrutora da Sociedade Brasileira de Programação Neurolingüística. Às vésperas da estação mais quente do ano, Paula também batalha por um lugar ao sol, com um belo biquíni. O teste de resistência dela, contudo, é mais do que um desafio de verão. Dona de restaurante, ela fica à mercê de tentações calóricas o ano todo. "Consegui emagrecer quando passei a dar valor para as minhas emoções. Tudo o que eu fazia tinha uma ligação forte com a comida: comia se ficava feliz e se ficava triste. Com a PNL, aprendi que existe a ‘fome da cabeça’ e a fome do corpo", conta. Junto com os dez quilos que perdeu, Paula eliminou a neura pelo corpo sarado, milimetricamente esculpido. "Quando procurei a PNL, pesava 77 kg e todos achavam que estava grávida. Queria chegar aos 57 kg, mas fui percebendo que esse peso já não condiz com meu estilo de vida, com a minha idade. Eu precisava me gostar, me aceitar. Hoje, peso 67 kg. Alguém pode achar que o peso ainda é alto para uma mulher de 1,57 m, mas me sinto ótima, estou me amando." Profissionais de várias áreas apostam no poder dos ‘pensamentos magros’. Para o médico homeopata Roberto Franceschelli, especialista em medicina chinesa, o aumento de peso expressa desequilíbrio entre corpo e mente. Ele sugere tratamentos à base de acupuntura e homeopatia. "As técnicas são auxiliares, não milagrosas. A pessoa deve estar disposta a mudar hábitos e deve entender que nem todo mundo nasceu para ser magro", diz.

A endocrinologia tradicional também está ao lado das terapias alternativas na campanha pelo emagrecimento saudável. Médico pela Universidade de São Paulo, Filippo Pedrinola enfatiza a importância da mudança de atitude. "Tem gente que só deseja ser emagrecida por alguém ou por algo, mas não está disposta a se empenhar, a agir para isso", opina. Quem não pretende suar a camisa para enxugar medidas também deve mostrar persistência. Exercícios mentais, como aqueles propostos pela PNL, demandam persistência. "Não é um trabalho fácil, sem disciplina a pessoa não consegue reeducar os pensamentos. Lembre que o pensamento provoca impactos na fisiologia. O que acontece quando se pensa no chocolate favorito? A boca enche de água", argumenta Walkiria. Para a psicóloga da SBPNL (http://www.pnl.com.br), fazer regime a esmo, sem ouvir o próprio corpo, só gera estresse. "É a síndrome da dieta constante: mesmo que não esteja de regime, você vive pensando nele. A pessoa precisa aprender a estar no controle da situação", opina.

No dia 21 de dezembro começa o verão. E você deve fazer uma escolha: gastar o 13º que ainda nem ganhou na busca de soluções milagrosas contra as gordurinhas ou entender que um corpo equilibrado deve ser seu objetivo durante o ano inteiro. NÚMEROS - 40% dos brasileiros estão acima do peso de acordo com dados do Ministério da Saúde. Este índice corresponde a 70 milhões de pessoas; - 15% das crianças do País são obesas; - De acordo com o Instituto Adolfo Lutz, esse número aumentou 240% nos últimos anos; BOXE 1: MINI-ENTREVISTA Roberto Franceschelli, médico homeopata especialista em medicina chinesa da clínica Ecologia Médica - Como a homeopatia pode auxiliar na perda de peso? - Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que a homeopatia não trabalha com inibidores de apetite. Ela age com ‘remédio de fundo’, receitado para equilibrar o organismo. Ele é individualizado, levando em conta as particularidades de cada um. - O senhor é contra o uso de remédios convencionais? - De um modo geral, sou contra. A busca por remédios, às vezes, se relaciona com uma visão imediatista do mundo. Optar por uma alimentação saudável e por exercícios físicos é uma escolha mais consciente. Todo mundo quer uma pílula milagrosa, mas ninguém se mantém magro se não estiver disposto a mudar seus hábitos. Por outro lado, nos casos de obesidade genética, hereditária, a busca pela magreza desrespeita o biotipo do corpo. A magreza, em alguém como Jô Soares ou Fausto Silva, reflete um desequilíbrio daquele corpo e não um quadro saudável. Há pessoas que nunca vão ficar magras e que acabam ficando doentes ao insistirem nisso. BOXE 2 - MINIENTREVISTA Filippo Pedrinola, endocrinologista médico pela Universidade de São Paulo (USP) - É possível estar gordo e também saudável? - Depende do que se entende por ‘gordo’. Quando o índice de massa corporal (IMC) está acima de 30, a pessoa terá um risco de morte aumentado mesmo que os exames clínicos estejam normais. No caso do excesso de peso, a boa avaliação passa pela checagem da circunferência abdominal: se a medida for superior a 80 cm, no caso da mulher, ou 90 cm, no caso do homem, há riscos. Também a pessoa muito magra, com IMC abaixo de 17, tem mais chance de morrer. - O que preocupa mais: obesidade ou bulimia e outros transtornos alimentares? - As duas coisas são importantes. A obesidade é uma pandemia, quase 40% dos brasileiros estão acima do peso. De outro lado, há essa preocupação excessiva com a imagem, é o ‘efeito embalagem’. Só a pessoa magra é tida como bem-sucedida, isso é uma tortura psicológica. Há um quadro neurótico pela beleza. É por isso que trabalho com uma equipe multidisciplinar. As doenças da alma têm uma ligação importante na relação da pessoa com seu peso. BOXE 3: DISCIPLINA ALIMENTAR TAMBÉM É UM ASSUNTO PARA AS CRIANÇAS Quando se trata de afinar os contornos das crianças, não valem as mesmas regras que orientam os adultos. De acordo com a endocrinologista Alessandra Rascovski, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), o adoçante deve ser escolhido com mais cuidado. "O uso de sorbitol, por exemplo, presente em vários tipos de adoçantes, pode causar diarréia. Estévia ou sucralose são mais adequados. Às vezes, nem é preciso adoçar o suco. Com isso se consegue treinar o paladar da criança", diz. Para a especialista, estabelecer horários para as refeições é uma forma de estimular a educação alimentar da criança. "É importante delimitar os horários, mas não se deve forçar. A criança deve comer quando tem fome, só não vale substituir a refeição por doces. No caso do lanche escolar, uma dica: se a idéia é enviar um pedaço de bolo, prefira comprar o bolinho pronto, individual. Se a mãe fizer o bolo, ele terá de ser consumido: vai virar o belisco do jantar, o lanche da tarde ..." Entre os principais obstáculos para a manutenção do peso infantil está o próprio comportamento familiar. "Às vezes, a mãe traz o filho ao consultório e acabo pesando os dois! Quando a mãe sugere verduras, o filho retruca: ‘a senhora também não come’! A relação familiar pesa muito. Vale lembrar que a qualidade da alimentação piorou na medida em que as mulheres passaram a trabalhar fora." Alessandra ressalta ainda a importância do cálcio na nutrição infantil, inclusive nos processos de emagrecimento. "Observamos que as crianças mais obesas ingerem pouco cálcio. Ele interfere na queima calórica, além de ser um importante elemento nutricional". Avalia. Leite e derivados são considerados boas fontes de cálcio.





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