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Disputa por controle do mercado leva drogas sintéticas para favelas do RJ, diz secretário

07/11 - 11:45, atualizada às 12:41 07/11 - Renata Castro, do Último Segundo

RIO DE JANEIRO – As drogas sintéticas e anfetaminas estão se tornando cada vez mais comuns entre os jovens de classe mais altas do Brasil. A disputa acirrada pelo controle do mercado de entorpecentes está levando as drogas sintéticas para as favelas do Rio de Janeiro, segundo o secretário especial de Prevenção à Dependência Química da prefeitura, Coronel Francisco Duran Borjas.

De acordo com o secretário, no início, as drogas sintéticas, como ecstasy e LSD, eram importadas, trazidas para o Brasil depois de viagens ao exterior por jovens de classe média alta. No entanto, o funcionamento do mercado de entorpecentes segue o modelo capitalista, regidos pelas leis da oferta, procura, risco e busca por lucro.

Duran explicou que quando as “balas” começaram a ser produzidas em grande escala e houve aumento da demanda pelo produto, cresceu também a disputa pelos mercados.

“Inicialmente, os jovens traficavam esses comprimidos dentro do grupo deles e vendiam nas festas rave, onde a demanda por drogas é garantida e o lucro para os traficantes era máximo”, disse.

Segundo o secretário, a história do comércio das drogas indica que o mercado das drogas sintéticas nas favelas do Rio está aumentando, pois os traficantes procuram vender os comprimidos “perto do capital”. Ou seja, a venda das “balas” migrou para bocas de fumo em favelas que se localizam próximo a bairros de classes média e alta, como Barra da Tijuca e Recreio, na zona oeste, Tijuca e Méier, na zona norte, e bairros da zona sul do Rio.

“Hoje há uma cultura do comprimido e da ‘bala’ entre os jovens de classe média. A droga sintética é mais fácil de traficar, pois é compacta, cabe mais em pouco espaço. Mas, é uma droga seletiva, porque procura o ‘capital’. Por isso, acho que vai haver disputa como aconteceu com as bocas de fumo e venda de maconha e cocaína”, afirmou Duran.

Fiscalização

A secretaria especial de Prevenção à Dependência Química da prefeitura orienta 750 mil jovens para conscientizá-los sobre a importância da vida longe das drogas. De acordo com o secretário, Coronel Francisco Duran Borjas, o Estado deve trabalhar para impedir que haja procura pelas drogas, atuando da repressão e fiscalização de eventos onde sejam comercializadas drogas.

Duran citou como principais pontos de venda de comprimidos de ecstasy e LSD as festas rave, onde os jovens seriam “convidados a se dopar para alterar seu comportamento”. Há dez dias, o adolescente L.F.A.M, de 17 anos, morreu durante a festa “Tribe” no Happy Land Diversões, em Itaboraí, com suspeita de consumo excessivo de álcool e drogas.

“À medida que convidem as pessoas para uma festa de 20 horas, elas sabem que vai ter consumo de droga, as pessoas vão para essas festas para mudar o comportamento social. A pessoa tem que ter um atestado médico para pular durante 20 horas. Quem vai para uma festa dessas, vai para se dopar. O que aconteceu com o menino foi abandono dos amigos, que estavam ‘doidões’, e ausência da prestação de serviços. A segurança e repressão do consumo de drogas devem ser feitos”, declarou.

O secretário lembrou que o trabalho de conscientização não pode ocorrer apenas entre os jovens de classes mais altas, pois muitos adolescentes das comunidades carentes também são vítimas dos entorpecentes e da violência do tráfico. Segundo Duran, a fiscalização precisa ocorrer também em boates e nos ensaios de escolas de samba em quadras próximas às favelas, que “movimentam as bocas de fumo”.

“Eu sou a favor da conscientização de uma juventude saudável, livre das drogas simples, mesmo com cigarros ou bebidas alcoólicas, que são as que mais matam. Agora, eu pergunto quantos jovens estão nas comunidades carentes sofrendo overdose, por falta de informação? A droga não leva a lugar nenhum. Nós temos que trabalhar a droga antes que ela chegue ao jovem, através da educação, prevenção, monitoramento e fiscalização do Estado”, disse Duran.

 

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