06/11 - 14:16, atualizada às 18:54 06/11 - Redação com agências
SÃO PAULO - A reitoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) ainda não declarou quais medidas serão tomadas após o prazo dado para que os estudantes desocupassem suas dependências (18h de hoje). Os alunos declaram que a ocupação permanece, pois o prazo dado pela reitora é "inviável".
A reitora Maura Bicudo Véras, informou nesta terça-feira que "lamenta a violência e a ação antidemocrática" na ocupação de ontem da reitoria por estudantes da universidade. "Não se pode tolerar esta atitude e é preciso agir com rigor, dentro da lei, para defender o patrimônio cultural e físico da universidade", disse ela, em nota de repúdio à manifestação.
A reitora ressalta que, ao ocuparem o local, os estudantes teriam derrubado uma parede e agredido seguranças. Uma aluna de jornalismo, que preferiu não se identificar, rebateu a reitora: "Não teve violência contra seguranças, nem empurra-empurra". Porém, a estudante admitiu que realmente eles tiveram que derrubar uma parede. "Era uma daquelas divisórias de escritório. Para entrar, o pessoal chutou e a parede realmente caiu".
A reitora da PUC-SP comentou, ainda na nota, que as reivindicações dos estudantes que chegaram à reitoria não procedem. Os alunos disseram que a universidade não discutiu o chamado "Redesenho Institucional", que prevê uma reestruturação na universidade com o objetivo, segundo a PUC-SP, de dar "novas estruturas que permitam dinâmicas mais ágeis e integradas para a realização de suas atividades-fim". Para os estudantes, esta medida aumenta a centralização das decisões, acaba com a autonomia dos cursos e impõem uma lógica de mercado, que privilegiaria os cursos que geram mais lucro.
Votação
A reitoria agendou a votação para definir este redesenho para o dia 12 de dezembro. Por ser uma data em que a maioria dos estudantes já estará de férias, eles julgam que a reitoria não está dando espaço para uma votação aberta, envolvendo estudantes, professores e funcionários. Os estudantes sustentam ainda que a reitoria teria um novo plano de demissões, cortes de bolsas aos alunos, além de aumento de mensalidade.
A reitora nega todos os pontos e diz que o "Redesenho Institucional" é uma necessidade "apontada pela própria comunidade, e que tem sido discutido de forma democrática e transparente em todas as instâncias". Os estudantes reivindicam que a data para a citação do redesenho seja adiada.
Às 19h os alunos fazem assembléias nos cursos e às 21h será realizada uma Assembléia Geral, aberta para todos os cursos, para definir a situação da ocupação e debater o "Redesenho Institucional". Os alunos do curso de Direito, do período matutino, se manifestaram contra a invasão da reitoria.
Professores
Representantes da Associação dos Professores da PUC (Apropuc) declararam apoio à ocupação da reitoria. Para o Hamilton de Souza, professor de jornalismo, "foi necessária uma atitude mais radical para garantir o debate, que estava sendo dificultado pela reitoria".
As propostas de reestruturação da universidade até agora retomam a questão das demissões, levantada no começo de 2006. Segundo alguns estudantes, já teriam sido demitidos cinco professores do curso de História, dois de Relações Internacionais e mais sete seriam demitidos em Letras.
Nas assembléias de curso realizadas pela manhã, alunos e professores defenderam que o debate sobre a reestruturação dos cursos seja mais "amplo e democrático". A primeira medida seria adiar a data limite para a apresentação de uma proposta. A outra discussão é se as propostas seriam decididas em um plebiscito ou em um congresso geral.
A ocupação
Cerca de 150 alunos PUC-SP, uma das mais tradicionais do Estado, ocuparam na noite desta segunda-feira a reitoria da universidade. Os estudantes decidiram pela ocupação após audiência pública promovida pela universidade no TUCA, teatro de arena da PUC. Os estudantes deixam os funcionários pegarem os pertences pessoais na manhã desta terça-feira. O clima é pacífico.
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Alegando que a direção da universidade não permitiu uma discussão do projeto na audiência, um grupo de estudantes se reuniu na saída do teatro, numa "assembléia emergencial", e decidiu, então, ocupar a reitoria em protesto. Na frente do prédio, foi colocada uma faixa com os dizeres "Sob nova direção".
Por volta da 0h30, desta terça-feira, policiais do GOE (Grupo de
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A PUC ainda tenta se recuperar de uma grave crise financeira, que levou a diversas demissões e protestos. A direção da universidade não foi encontrada para comentar a ação dos estudantes.
(*Com informações da Agência Estado e de Juliana Simon, do Último Segundo)
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