06/11 - 18:25, atualizada às 19:28 06/11 - Redação com Agência Estado
Sem nenhum documento ou dinheiro, o menor V.S.S, de 11 anos, conseguiu embarcar em um avião em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, com destino a São Paulo. No dia 18 de outubro, ele se misturou aos passageiros e viajou sem o bilhete ou cartão de embarque. A Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos das Crianças de Cuiabá abriu hoje inquérito para apurar a falha na segurança dos aeroportos Marechal Rondon, em Mato Grosso, e de Guarulhos, na Grande São Paulo, além da companhia aérea Gol, apontada pelo pai da criança como a empresa pela qual o filho viajou.
O menor já estava em Guarulhos quando foi localizado pelo sistema de segurança do aeroporto, andando sozinho. "Isso demonstra a fragilidade do sistema de transporte aéreo. Poderia ser um terrorista, por exemplo. A falta de segurança é muito maior do que a gente pensa", criticou o delegado Márcio Cambahúba. Porém, antes o garoto havia viajado em dois ônibus sem pagar passagem para chegar ao aeroporto, percorrendo cerca de 20 quilômetros.
A aventura de V.S.S teria começado porque ele brigou com um vizinho da sua idade. Ele pediu aos pais, o soldado da Polícia Militar (PM) Valmirson dos Santos Almeida e a dona de casa Flaviana Cacilda, para mudar de bairro. Diante da recusa, apenas com a roupa do corpo, o garoto fugiu para o aeroporto em Várzea Grande. No dia seguinte, os pais registraram queixa na delegacia da criança, em Cuiabá.
Segundo a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), o caso foi investigado durante toda a tarde desta terça-feira, mas não foram encontradas evidências do embarque da criança nem em que companhia aérea ele teria acontecido. De acordo com a empresa, as câmeras de vigilância do Aeroporto Marechal Rondon não registraram a presença do menino na área de embarque.
No Aeroporto de Guarulhos, a equipe de segurança da Infraero localizou a criança, às 5h do dia 19. Ele estava próximo ao Terminal de Cargas, na área externa, e foi encaminhado aos policiais do aeroporto, que levantaram os nomes dos seus pais. A criança dizia ter viajado com o pai e a mãe, por quem estaria esperando. Como eles não responderam à chamada do sistema de som do aeroporto, o menino foi encaminhado às autoridades tutelares da infância de Guarulhos.
De acordo com o Juizado da Infância e Juventude, localizado no Aeroporto Marechal Rondon, a criança teria embarcado após as 22h e, por isso, não havia mais agentes do órgão no local.
A Gol informou na noite de hoje que não confirma o transporte do menino. Mais cedo, a empresa havia dito que estava investigando o caso, mas que, como a criança não tinha reserva nem passagem, seria difícil apurar com qual companhia aérea ele viajou.
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