06/11 - 13:38, atualizada às 03:24 07/11 - Guilherme Ferreira, repórter do Último Segundo
SÃO PAULO – A empresa Reali Transporte Aéreo tem até a próxima segunda-feira para entregar à Polícia Civil a ficha técnica dos pilotos e do jatinho Learjet 35, que caiu na zona norte de São Paulo no último domingo. Segundo Elizabeth Sato, delegada responsável pelas investigações, a empresa tem cooperado com a polícia, mas ainda não apresentou as informações solicitadas sobre os pilotos e a aeronave acidentada.
De acordo com Elizabeth, sem os laudos técnicos e os documentos da Reali, não há como especular sobre as reais causas do acidente. “Vamos analisar o conjunto com base na ficha técnica do Learjet”, explica.
A polícia quer informações como tempo de vôo do jatinho, quantidade de combustível no momento do acidente e documentos que comprovem que os pilotos estavam aptos para vôo. “Nós vamos solicitar (como já o fizemos), as condições físicas do piloto e do co-piloto porque ambos passam por exames específicos”, explica Elizabeth.
A delegada conta que papéis encontrados entre os destroços mostram que o Learjet 35 estava apto para vôo. “A documentação revela que a aeronave passou por manutenção no dia 24 de outubro”. Segundo ela, a manutenção foi realizada pela ABC Táxi Aéreo, de Uberlândia (MG), empresa autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Além da documentação, entre os destroços, foram encontrados cartões de crédito e uma câmera fotográfica Sony Cybershot, que será periciada pelo Instituto de Criminalística (IC) na tentativa de que as imagens sejam recuperadas. Segundo Elizabeth Sato, a aeronave era arrendada, propriedade das empresas Textdar e Trilogy. A polícia indica que incluiu nas investigações os donos do avião.
Atraso na investigação
Segundo Antônio Nogueira, perito do Instituto de Criminalística, a queda de três helicópteros na última quinta-feira, em São Paulo, e o acidente com o avião da TAM, em 17 de julho, devem atrasar as investigações do caso Learjet. “Se tudo correr bem, o resultado sai em 30 dias. Mas, não vai correr bem. Então, o resultado deve ficar pronto em fevereiro ou março”, prevê.
Para o tenente-coronel Wagner Cyrillo, Chefe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 4), ainda não é possível dizer se o Brasil tem recursos técnicos suficientes para analisar as peças do avião. Se não for possível, afirma, os objetos serão enviados para o exterior, após autorização dos órgãos brasileiros. A delegada Elizabeth explica que o destino das peças deve ser os Estados Unidos.
Versões conflitantes
A Polícia Civil já ouviu 21 pessoas entre testemunhas e afetados do acidente. Uma delas teria contado que viu querosene saindo caindo das asas do Learjet. A testemunha seria um operário que trabalharia em uma obra próxima ao aeroporto e estaria acostumado a olhar para o Campo de Marte.
De acordo com a Elizabeth, outra testemunha teria dito que ouviu apenas o barulho do motor, e outra, que o jato caia com as turbinas em silêncio. Uma terceira versão é a de que o Learjet soltava muita fumaça no momento do acidente.
Veja o local do acidente com o Learjet
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