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Vítimas do acidente aéreo são enterradas em São Paulo

05/11 - 18:17, atualizada às 21:00 05/11 - Luiz Raatz, repórter Último Segundo

SÃO PAULO - Os corpos das vítimas Lina Oliveira Fernandes, 75, Aires Fernandes, 54, Rosa Lima Fernandes, 54, Ana Maria Lima Fernandes, 21, Lucas de Souza Só Júnior, 20 e Luan Victor de Lima Só, de 9 meses, estão sendo enterrados no Cemitério Chora Menino, em Santana Zona Norte da Capital. Todos morreram no acidente aéreo, que matou oito pessoas no último domingo em São Paulo.  Cerca de 130 pessoas estão no local bastante abaladas e emocionadas. O corpo do co-piloto Alberto Soares foi enterrado nesta tarde em Piracicaba.

 

 

Segundo as pessoas que compareceram ao acidente, 14 pessoas moravam na casa e eram de baixa renda. Rosa trabalhava em duas casas e Aires estava desempregado. Eles recebiam uma cesta básica mensal da paróquia.

Os jovens Lucas e Ana Maria moravam juntos na casa desde setembro. O casal tinha um bebê, que também morreu no acidente, e pretendiam se casar. Lucas, que trabalhava em uma empresa de TV a cabo, tinha mais sete irmãos. De acordo com Rosa de Oliveira Só, madrasta de Lucas, a família ainda está "chocada e tudo ainda é muito doloroso".

Segundo Sonia Romero, advogada e prima de Lucas, "ninguém da família acredita no que aconteceu e ainda não estão pensando em indenização". 

Segundo Maria Tosta, 65 anos, patroa de Rosa Lima Fernandes, a empregada doméstica era uma pessoa muito humilde e já trabalhava em sua casa há oito anos. "Hoje é o primeiro dia que ela não vem trabalhar. O netinho era tudo para ela", diz. Segundo Maria, Rosa veio da Paraíba e se casou para melhorar de vida, mas seu marido, que era vigilante de banco, ficou desempregado. Karen Duarte, a dona da segunda casa onde Rosa trabalhava declarou que Rosa era "uma pessoa boa e honesta" e que trabalhava com ela há dois anos.

O IML identificou os corpos das oito vítimas do acidente e liberou para o enterro. 

Luiz Antônio Marrey, secretário de Justiça do Estado, afirmou que o governo trabalha para garantir a assistência e as indenizações às vítimas. "Foi uma tragédia horrível", diz.

Velório co-piloto

Co-piloto foi velado em Piracicaba
O corpo do co-piloto do Learjet que se acidentou, Alberto Soares, foi velado e enterrado na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo.

O corpo do piloto Paulo Roberto Montezuma Firmino, 39 anos,  será velado até as 20h e cremado amanhã.

As outras seis vítimas eram da mesma família. Além de Lucas e Ana Maria, morreram: Lina Oliveira Fernandes 75, que é mãe de Ayres Fernandes, 54. Ayres era marido da vítima Rosa Lima Fernandes, 54. Ayres e Rosa são pais de Ana Maria.

O cunhado da vítima Rosa Lima Fernandes Lauro Fortes foi até o IML, acompanhado da esposa, que é irmã da vítima, auxiliar no reconhecimento. A esposa de Lauro, Josefa de Lima Fortes, disse que "a família está toda abalada. Soubemos pela TV. Reconhecemos a casa, e quando ouvimos os nomes das vítimas, tivemos a certeza", contou. "O homem constrói as máquinas e as máquinas destroem as famílias", afirmou ainda.

Alair Coutinho Fernandes e Claudia Fernandes, única integrante da família que morava na casa que sobreviveu, ficaram feridas e estão internadas nos hospitais do Mandaqui e do Servidor Público. A garota que sobreviveu tem 16 anos e é autista.

Buscas

O coronel do Corpo de Bombeiros que trabalhava no local, Manuel de Araújo, afirmou que o trabalho nesta segunda-feira foi de remoção das peças da aeronave, que serão levadas para a Aeronáutica. Depois disso, foi retirado o entulho das casas. Os bombeiros aguardam a autorização da Defesa Civil para que as casas possam ser demolidas.

O gravador de voz do avião já foi encontrado e encaminhado para a Aeronáutica.

Investigação

A delegada da 4ª Delegacia Seccional Norte Elizabeth Sato ouve vizinhos e pessoas que tiveram danos materiais com o acidente. Ela colheu as oitivas no Hotel Ibis onde estas pessoas estão hospedadas, juntamente com parentes das vítimas.

Dois moradores dos fundos da casa que foi atingida e que conseguiram escapar também foram ouvidos.

A assessoria de imprensa da Reali Táxi Aéreo, responsável pelo jato, divulgou uma nota de condolências nesta segunda-feira. A Reali opera no ramo de transporte aéreo médico há mais de dez anos. Sobre indenizações a assessoria de imprensa afirmou que "é o que menos interessa no momento. O que interessa é o apoio aos familiares. Isso a gente esta fazendo no momento".

(Colaborou Carla Sasso e Guilherme Ferreira do Último Segundo)

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