05/11 - 14:45, atualizada às 16:00 05/11 - Eduardo Bresciani - Último Segundo/ Santafé Idéias
BRASÍLIA - Com o fim das CPIs e a continuidade dos problemas no setor aéreo, parlamentares defendem que Câmara e Senado instalem comissões especiais para continuar as investigações sobre o apagão aéreo. Para eles, o acidente com um avião de pequeno porte em São Paulo ontem pode ajudar o Congresso a retomar o tema.
O relator da CPI do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), espera que o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), determine a instalação da comissão para continuar o acompanhamento da crise. "A CPI acabou, mas uma comissão especial pode ser criada para permitir que o Parlamento continue acompanhando o setor e verificar também se há conexão desse acidente com a crise, o que deve haver".
A mesma idéia está sendo trabalhada na Câmara e chegou até a constar no relatório final do deputado Marco Maia (PT-RS). O peemedebista Eduardo Cunha (RJ), que foi vice-presidente da CPI, defende a continuidade das investigações pela Casa. "No próprio relatório da CPI já pedíamos a instalação da comissão especial. Apesar de esse acidente não ter a comoção dos anteriores expõe novamente o problema".
As comissões especiais têm caráter temporário e, diferente das CPIs, possuem caráter mais propositivo que investigativo. Seu papel seria apresentar possíveis soluções para resolver os gargalos que culminaram com o apagão do sistema.
Acidente faz parte da crise
Apesar de governista e de ser correligionário de Nelson Jobim, Ministro da Defesa, Cunha é duro com a administração. "Não dá para culpar só a Anac, acho que o Ministério da Defesa já tem sua parcela de culpa por não conseguir enfrentar a crise nesses três meses". Cunha atribui o acidente no Campo de Marte à resolução que retirou os vôos executivos de Congonhas. "Isso não resolveu o problema de Congonhas e ainda colocou no Campo de Marte uma quantidade de vôos excessiva causando riscos à população".
O pensamento é parecido com o do oposicionista Gustavo Fruet (PSDB-PR). "Por enquanto só teve discurso no ministério, medidas concretas nenhuma", protesta. O tucano defende que se busque uma alternativa para distribuir os vôos da capital paulista para aeroportos em que não haja grandes áreas residenciais ao redor. "O aeroporto de Jundiaí pode ser uma opção", sugere.
Demóstenes tem pensamento semelhante e defende a construção de um novo aeroporto na cidade. "Para resolver a crise é preciso de muito dinheiro e logo. São Paulo precisa de mais um aeroporto, em área isolada, além de aumentar os terminais de Guarulhos e Viracopos".
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), que foi vice-presidente da CPI, acredita que o acidente não tem relação direta com a crise. "A princípio, avaliando superficialmente, o acidente não pode ser vinculado à desorganização que o setor aéreo passou e ainda vive".
Casagrande espera que a Anac reveja seus procedimentos de fiscalização de aeronaves em busca de mais segurança.
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