05/11 - 22:55 - Agência Estado

Os peritos da Aeronáutica encarregados de investigar a queda do Learjet 35, que deixou oito mortos e dois feridos ontem à tarde (05), têm fortes indícios de que uma pane numa das turbinas do jato esteja entre as causas do maior acidente da história do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. A análise visual dos motores indica que um deles estava quase sem potência no momento do impacto com as residências da Rua Bernardino de Sena.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foram os diferentes estados das turbinas retiradas dos escombros. Enquanto uma estava praticamente intacta, inclusive com parte da carenagem acoplada, a outra estava bem danificada. Além disso, num dos motores o spiner - cone de metal acoplado - estava amassado, ao contrário do que foi observado no outro motor. “Quando a turbina está girando e há uma colisão em vôo, o spiner age como uma broca de furadeira”, explica um oficial da Força Aérea Brasileira (FAB), que pilota jatos Learjet. “Se um amassou, é sinal de que estava em baixa rotação.”
O que ainda intriga os peritos é o fato de os pilotos terem perdido o controle da aeronave. Os planos de vôo determinam que, ao decolarem do Campo de Marte, os jatos devem curvar à esquerda, ao contrário do que fez o Learjet. Ainda que uma das turbinas tenha deixado de funcionar, dizem pilotos e especialistas em aviação, os comandantes são treinados para evitar a queda. “O Learjet é extremamente ágil e veloz. Mesmo sem um dos motores, é possível continuar voando”, diz o militar.
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