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Faltam investimento e pessoal treinado para o setor aéreo brasileiro, diz especialista

05/11 - 20:24, atualizada às 20:48 05/11 - Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias

BRASÍLIA - Os últimos cinco acidentes com aviões de médio porte e helicópteros não podem ser considerados como um “caos aéreo”, afirmou Francisco Hélio de Barros, especialista em Gestão da Aviação Civil e diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA), em Brasília. Para ele, “o que compromete a segurança aérea brasileira, é a falta de investimento e de recursos humanos treinados”.

 

Para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os acidentes são fatos isolados, mas, de acordo com Barros, os acontecimentos são fruto do pouco investimento no setor, que não acompanha o aumento da demanda de passageiros. “[Por causa do pouco investimento] Acaba ocasionando o congestionamento do espaço aéreo e dos aeroportos”, afirmou.

Segundo ele, a solução para a situação demanda “tempo e investimento”. Além disso, conforme ressaltou, a Justiça tem trabalhado para ajudar os passageiros com problemas com as companhias aéreas. “Os consumidores, muitas vezes, culpavam a Anac e a Infraero, mas de acordo com o Código do Consumidor, quem tem de assumir a responsabilidade perante os passageiros são as empresas”, informou.

O diretor do SINA, disse, ainda, que a construção de aeroportos  próximos às residências existem há mais de trinta anos e que essas construções levam infra-estrutura para o local, atraindo a população. “Não é culpa da Anac nem da Infraero. Depende do Governo proteger os arredores dos aeroportos, principalmente os que se localizam próximos das casas, mas o governo não dá atenção para esta questão”, disse ele, alegando que os riscos não são levados em consideração porque os políticos precisam de votos para se elegerem. “Para se elegerem, precisam agradar a população, logo não vão tirar seus eleitores de suas casas, mesmo estando em risco”, disse.

Investigações

De acordo com a assessoria do Comando da Aeronáutica, as investigações do acidente com o Learjet em São Paulo já foram iniciadas na manhã desta segunda-feira. A caixa-preta da aeronave será, segundo o Comando, a principal peça da investigação, já que contém as conversas dos pilotos entre si e com a torre de controle.

A Aeronáutica tem até 90 dias para apresentar um relatório parcial sobre as causas do acidente. Os controladores de vôo que estavam trabalhando na hora do acidente também devem ser ouvidos.

Acidentes

avião Learjet caiu no domingo, por volta das 14h10, na rua Bernardino de Sena próximo à Avenida Casa Verde, zona norte de São Paulo e deixou oito mortos.

Três helicópteros caíram durante a tarde da última quinta-feira. Ao menos três pessoas morreram no acidente no Parque Santa Teresa, na altura do km 20 e 21 do Rodoanel, em Carapicuíba, Grande São Paulo, por volta das 14h. O segundo acidente feriu duas pessoas em um campo de golfe próximo à Estrada de Varinhas, em Mogi das Cruzes, por volta das 14h30. Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo a terceira aeronave caiu e feriu três pessoas.

Na quarta-feira, um avião Tucano T-27, da Força Aérea Brasileira (FAB), caiu na área nordeste da Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga, região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Os dois pilotos conseguiram se ejetar e foram resgatados por um helicóptero da Academia.


 

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