05/11 - 00:48, atualizada às 10:57 05/11 - Redação com agências
SÃO PAULO - Oito pessoas morreram e duas ficaram feridas na queda de um avião de pequeno porte no domingo, por volta das 14h10, na rua Bernardino de Sena próximo à Avenida Casa Verde, zona norte de São Paulo. Os familiares das vítimas estão no Instituto Médico Legal (IML) para ajudar no reconhecimento dos corpos. Até o momento, quatro corpos não foram reconhecidos oficialmente pelo IML.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, entre as vítimas fatais estão o piloto do Learjet Paulo Roberto Montezuma Firmino, de 39 anos, e o co-piloto Alberto Soares Junior, de 24 anos. As outras seis vítimas eram da mesma família. São elas: Lina Oliveira Fernandes (o corpo ainda não foi reconhecido pelo IML), 75, que é mãe de Ayres Fernandes (não reconhecido), 54. Ayres era marido da vítima Rosa Lima Fernandes (não reconhecido), 54. Ayres e Rosa são pais de Ana Maria Lima Fernandes, 21, que é namorada de Lucas de Souza Só Júnior, 20. Ana Maria e Lucas são pais do bebê Luan Victor de Lima Só, de 9 meses (corpo ainda não reconhecido).
Duas vítimas já são veladas no Cemitério Chora Menino, em Santana, na Zona Norte.
Alair Coutinho Fernandes e Claudia Fernandes, única integrante da família que morava na casa que sobreviveu, ficaram feridas e estão internadas nos hospitais do Mandaqui e do Servidor Público. A garota que sobreviveu tem 16 anos e é portadora de Síndrome de Down.
O coronel do Corpo de Bombeiros que trabalha no local, Manuel de Araújo, afirmou que o trabalho nesta segunda-feira é de remoção das peças da aeronave, que serão levadas para a Aeronáutica. Depois disso, é que será retirado o entulho das casas. Não há previsão para o término dos trabalhos. Há cerca de 20 homens no local e não há risco de explosões, já que o Corpo de Bombeiros removeu uma das asas do avião que comporta o tanque de combustível.
O capitão dos Bombeiros Mauro Lopes, disse que a pequena área em que aconteceu o acidente facilitou o trabalho de resgate. "Agora o que deve ser feito é a remoção dos escombros e localização das partes da aeronave", disse Lopes. Segundo o capitão, o gravador de voz do avião já foi encontrado e encaminhado para a Aeronáutica.
Acasa de número 118 da rua Bernardino Sena, onde estavam as seis vítimas fatais, foi completamente destruída. A casa de número 104, também atingida, teve perda de 90% e terá de ser demolida. Outras duas casas da mesma rua estão interditadas e devem ser demolidas.
A Reali Táxi Aéreo, empresa responsável pelo jato Learjet, informou que os parentes das vítimas do acidente foram acomodados no hotel Ibis, da Casa Verde. Dos 28 desabrigados após o acidente, 18 estão no hotel, e dez em casas de familiares.
Aeronave teria feito manobra errada
O chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo, coronel Carlos Minelli de Sá, explicou que a aeronave não possui caixa-preta, ela tem apenas um gravador de voz CVR (Cockpit Voice Recorder) que registra as vozes do piloto e do co-piloto e pode ajudar nas investigações.
Minelli explicou o que pode ter sido a causa do acidente. "A aeronave decolou da pista 30 do Campo de Marte e deveria ter se curvado para esquerda para não interferir no círculo de tráfego de Guarulhos. Ao contrário disso, ela virou para direita apesar do piloto ter sido alertado pelo controlador de vôo. Provavelmente ele estava enfrentando algum problema", afirmou o coronel.
A aeronave Learjet, modelo 35, prefixo PTOVC, da Reali Táxi Aéreo, decolou do Campo de Marte e tinha como destino o Rio de Janeiro, segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Somente o piloto e o co-piloto estavam na aeronave.
Testemunhas relatam acidente
Na residência mais atingida moravam 12 pessoas. Fernando Simões, de 21 anos, um dos moradores da casa, tinha saído para ir ao supermercado e quando voltou viu a casa destruída pela queda do avião. Na residência moravam sua mãe, avô, tios, primos e primas. Na hora da queda, quatro adultos e um bebê estavam na casa.
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Do lado de fora, a garota de 16 anos que sobreviveu, Cláudia Fernandes, foi arremessada para a rua com o impacto da queda do avião. Ela teve 30% do corpo queimado e foi transferida para o Hospital do Servidor Público. Segundo um vizinho, o avião não explodiu no momento da queda. Foram ouvidas 3 explosões após o impacto com a casa.
O mestre-de-obras John Wellington de Albuquerque Sousa testemunhou a queda do avião quando trabalhava no telhado de uma casa de uma rua próxima do acidente.
Segundo ele, 30 a 40 segundos depois da decolagem o jato desviou de um edifício, inclinando para a direita, e não ouviu mais o barulho do motor, que teria parado de funcionar. O avião caiu de bico sobre a casa.
O alfaiate Jacó Maciareli, de 73 anos, morador da rua em que aconteceu o acidente, diz que estava almoçando quando ouviu sons parecidos com vôos rasantes que é comum ali próximo ao Campo de Marte. "Nós não chegamos a ouvir o barulho da explosão, só ficamos sabendo do acidente quando nossa filha saiu no quintal e viu a casa da frente pegando fogo", diz Maciareli.
O aposentado João Miguel, de 63 anos, morador da região há quase 40, disse que estava em sua casa quando ouviu o barulho do acidente. "Ouvi um estrondo gigante, quando sai para ver o que estava acontecendo vi uma labareda de fogo de uns 30 metros", afirma o aposentado que diz conhecer os moradores da casa atingida.
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Já o estudante Jorge Miguel Costa, de 17 anos, conta que estava passando o domingo na casa da prima, na Av Casa Verde, e saiu na rua para ver o que estava acontecendo. "Vi muita correria, umas cinco pessoas saíram correndo desesperadas. Uma garota estava sangrando bastante no rosto e foi socorrida por uma viatura", relata o estudante.
A Avenida Casa Verde e a rua Bernardino Sena foram interditadas pela Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) e a energia elétrica da rua foi cortada.
Local do acidente
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(Com informações de Bruno Soraggi, repórter do Último Segundo, e da Agência Estado)
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