03/11 - 15:33 - Eduardo Bresciani, do Santafé Idéias
Nesta segunda-feira (05/11) o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), terá de decidir se irá encarar os corredores da Casa ou preferirá mais alguns dias de descanso. A licença média de 10 dias pedida pelo senador terminou ontem e o peemedebista terá de comunicar a Mesa caso precise de um prazo adicional.
Distante da Presidência da Casa desde 11 de outubro, Calheiros
preferiu o isolamento. Para tentar fugir do bombardeio do noticiário,
o peemedebista pediu uma licença médica por 10 dias de seu mandato,
ficando, assim desobrigado de freqüentar o Senado.
A estratégia deu certo. O clima na casa melhorou muito com o
afastamento de Calheiros e ele conseguiu escapar do centro do furacão.Os quatro processos que responde no Conselho de Ética continuam tramitando e a atenção está voltada para a acusação de que o alagoano teria usado "laranjas" para comprar veículos de comunicação em seu estado. Essa representação é relatada por Jefferson Peres (PDT-AM), primeiro a pedir a saída de Calheiros do cargo.
Nesta segunda-feira, o peemedebista terá de decidir se continuará
afastado do Senado ou se vai encarar o dia a dia dos corredores da
Casa. Os aliados se dividem. Alguns defendem o prolongamento da
licença por entender que a distância poderá ajudar na defesa do
mandato. Outros aconselham o retorno justamente para mostrar a fibra
do alagoano e a intenção de defender seu mandato até o fim.
Se a discussão sobre o mandato volta junto com Calheiros, a questão da Presidência está praticamente resolvida. Aliados já admitem que não
existe mais a possibilidade de um retorno do alagoano ao cargo no dia
26 de novembro, quando vence sua licença de 45 dias. A expectativa é
que antes disso, seja comunicada sua renúncia definitiva ao comando da Casa.
A sucessão já está nos corredores do Senado. O nome mais forte no
momento é o do discreto Garibaldi Alves (PMDB-RN). Com pontes sólidas com a oposição e recém-convertido à base aliada, o potiguar começa a se assumir como candidato e tem tido conversas recorrentes com caciques peemedebistas, como José Sarney (PMDB-MA), sobre o tema. Garibaldi conta ainda com o apoio do Planalto e se aproximou do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem chegou a se reunir por
mais de três horas dias atrás.
O potiguar, no entanto, não é o único nome na mesa, dividindo espaços
com a possibilidade de uma candidatura de José Maranhão (PMDB-PB) ou Pedro Simon (PMDB-RS).
O primeiro, no entanto, não deseja o cargo porque espera decisão da
Justiça Eleitoral sobre o mandato do governador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), para quem perdeu as eleições no ano passado. Com uma possível cassação de Cunha Lima, Maranhão assumiria o cargo. Outro problema ainda são as denúncias que já começaram a aparecer, como uma fortuna em gado não declarada e rádios compradas por meio de
"laranjas".
Para Simon, problemas na biografia não existem, mas os políticos
dificultam sua viabilidade. Independente, o gaúcho é visto com
desconfiança no Palácio do Planalto. Apesar disso, setores do PMDB
entendem que somente ele poderia dar à Casa a credibilidade necessária no momento pós-Renan Calheiros.
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