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Diferença entre projeção e contagem dos habitantes prejudica repasse de verbas para município, diz prefeito

03/11 - 14:35 - Sabrina Craide/Agência Brasil

Brasília - O prefeito do município de Campos Verdes (GO), Noé Afonso Filho, considera que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) errou ao projetar a população da cidade para 2006. No ano passado, segundo a estimativa feita pelo instituto, havia 1.707 pessoas morando no município, mas a contagem populacional realizada neste ano mostra que a cidade tem 6.393 habitantes.

Segundo o prefeito, os números atuais são os corretos. Ele explica que Campos Verdes teve uma queda populacional desde 1996, por causa do êxodo de pessoas que trabalhavam em minérios de esmeralda na cidade. “Mas nunca houve só 1,7 mil moradores”, afirma. Segundo ele, o IBGE estimou que a população continuaria caindo, o que não ocorreu.

O prefeito reclama que os números apresentados pelo IBGE prejudicaram o município, que recebeu menos verbas federais devido à estimativa realizada. “O município teve um grande prejuízo neste período, porque as verbas para saúde e educação são contadas pela população”, diz o administrador. O prefeito diz que já enviou ofício para os órgãos estaduais e federais para atualizar os números da população da cidade.

Para o prefeito em exercício de Japurá (AM), Pedro Félix, o que está errado é a contagem feita neste ano, que mostra que a população da cidade é de 5.280 pessoas. A projeção feita pelo IBGE para 2006 mostrava que havia 13 mil moradores no município.

Félix diz que muitas casas não foram visitadas pelos recenseadores. “Só nos colégios municipal e estadual da cidade temos 2 mil alunos. Se multiplicar esse número por três, levando em conta o pai e a mãe dos alunos, já temos cerca de 6 mil pessoas”, explica.

Ele diz que o município já pediu a recontagem da população ao IBGE, pois poderá ser prejudicado no repasse de verbas federais. “Se isso [a recontagem] não acontecer, Japurá vai passar por grandes dificuldades para atender à população e cumprir nossos compromissos”, diz o prefeito.

O coordenador de População e Indicadores Sociais do IBGE, Luiz Antônio Pinto de Oliveira, explica que as tendências de declínio ou de crescimento da população nos municípios são incorporadas às projeções, e, às vezes, isso não é confirmado. “Acontece que a estimativa está prevendo a população com base em uma tendência anterior de crescimento, mas o município já está perdendo população porque ele deixou de ser atrativo do ponto de vista econômico, de serviço, educação”, exemplificou.

Segundo Oliveira, em todos os municípios nos quais a contagem populacional foi realizada neste ano, foram instaladas comissões consultivas com representantes da comunidade para acompanhar o trabalho dos recenseadores. Ele afirma que, se for necessário, o IBGE vai a campo novamente para confirmar os números em algumas localidades.

Em relação a possíveis prejuízos causados aos municípios em função dos números apresentados pelo IBGE, Oliveira justifica que o instituto não é responsável por determinar os critérios para a distribuição dos recursos federais. “O IBGE só mede a população e não tem a menor ingerência sobre as formas de distribuir esses fundos. Talvez a forma de distribuir os recursos não seja a mais adequada”, avalia.





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