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Beltrame critica relatório da Secretaria de Direitos Humanos sobre operação no Rio

01/11 - 17:58 - Redação

RIO DE JANEIRO - O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, criticou por meio de nota o relatório realizado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDR), do governo federal, sobre a operação policial no Complexo do Alemão que resultou em 19 mortes. "É preciso que fique claro que nenhum dos autores do relatório alternativo esteve no Rio de Janeiro para realizar qualquer diligência", afirmou Beltrame.

De acordo com a SEDR, o relatório, que sugere que "várias das mortes decorreram de um procedimento de execução sumária e arbitrária", pretende colaborar com as investigações sobre "excessos cometidos na morte de civis". Para Beltrame, os autores do relatório "trabalharam única e exclusivamente interpretando o laudo realizado pela Polícia Técnica do Rio de Janeiro, o que o desqualifica sob a ótica da ciência da perícia técnica".

Segundo a Secretaria de Direitos Humanos, o relatório foi produzido por um grupo multidisciplinar de peritos independentes organizado pela Secretaria por meio de análise dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) do Rio. Segundo o coordenador da Comissão Permanente de Combate à Tortura e à Violência Institucional da SEDH, Pedro Montenegro, o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Gilberto da Cruz Ribeiro, garantiu "o acesso de forma transparente aos documentos necessários para a análise dos peritos".

Montenegro também ressaltou que a constituição do grupo de peritos pela SEDH atendeu à solicitação da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O secretário de Segurança afirma na nota, no entanto, que o relatório foi encomendado sob pressão "daqueles que deturpam a justa causa dos Direitos Humanos" e que o documento "pouco pode revelar sobre os fatos, gerando apenas confusão".

Para a Secretaria de Segurança, as informações até agora apuradas não permitem que se conclua ter havido execução na operação policial realizada no Complexo do Alemão. "Infelizmente, becos e ruelas das favelas, o comportamento e o armamento proibido dos traficantes restringem o alcance dos manuais de perícia, sendo sumamente necessária a contextualização dos fatos", afirma Beltrame.

Três inquéritos policiais correm sob a fiscalização do Ministério Público Estadual. Mais de 50 pessoas já foram ouvidas, entre parentes, moradores e policiais, segundo a Secretaria. "Para que a Justiça seja feita, é a integridade destes inquéritos que precisamos preservar", finaliza a nota.

Saiba mais sobre: segurança pública - Complexo do Alemão





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