30/10 - 13:22, atualizada às 17:05 30/10 - Redação
RIO DE JANEIRO – A Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) entrou com uma ação judicial contra a prefeitura do Rio, na manhã desta terça-feira, pelas acusações sobre a responsabilidade do deslizamento de terras no Túnel Rebouças, principal ligação entre as zonas norte e sul da cidade. Depois de permanecer fechado durante seis dias, a previsão para reabertura total do túnel é para a próxima quarta-feira.
O coordenador jurídico da Cedae, Leonardo Espíndola, entrou com a ação no Fórum do Rio contra o secretário municipal de Obras, Eider Dantas, que declarou à imprensa que a companhia deveria ser responsabilizada pelo acidente.
Um relatório da prefeitura divulgado ontem aponta um furo numa tubulação de alta pressão da Cedae como a principal causa dos deslizamentos de terra da encosta do túnel. Eider Dantas afirmou que os moradores da favela Cerro-Corá reclamavam “há meses” dos problemas com o abastecimento de água da Cedae.
A Cedae classificou as declarações como “intempestivas” e afirmou que carecem de embasamento técnico e prejudicam a imagem da companhia. A empresa pede à Justiça que seja feita uma perícia técnica independente na encosta. De acordo com a Cedae, a indenização obtida no processo será revertida para projetos sociais no Cerro-Corá.
Reabertura do túnel
Nesta terça-feira, os operários trabalham na retirada do barro no asfalto e na encosta. Segundo a Secretaria, técnicos também aceleram as obras de contenção do morro, para evitar novos deslizamentos. O túnel está fechado desde o último dia 24 de outubro devido a um desmoronamento de terra.
De acordo com a Secretaria, ainda não há um horário definido para a abertura do túnel. Na última segunda-feira, a galeria foi parcialmente aberta e funcionou de maneira alternada. Das 5h às 15h, os veículos podiam circular no sentido zona norte. A partir das 16h, no sentido inverso.
Em seu blog na internet, o prefeito do Rio, Cesar Maia, incentivou a população a utilizar mais os transportes coletivos. "Seria muito melhor se as pessoas que passaram a usar o metrô continuassem, pois seria um importante impacto positivo".
Troca de acusações
Nesta segunda-feira, um relatório da prefeitura apontou um furo numa tubulação de alta pressão da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (Cedae) como causa principal do acidente. O documento elaborado pela Geo-Rio e pela RioÁguas , afirma que o cano de duas polegadas é responsável pelo abastecimento das caixas-d’água da comunidade Cerro Corá, localizadas na Ladeira dos Guararapes.
A Cedae negou as acusações da prefeitura. De acordo com o presidente da empresa, a tubulação que teria causado o problema passa a um quilômetro do local do acidente e “em hipótese alguma poderia ter causado o deslizamento no Rebouças. Mais uma vez, a prefeitura está querendo passar a culpa para a Cedae”.
“É um absurdo afirmar que um vazamento num cano como este causou o acidente. Esta afirmação da prefeitura começa a sair do âmbito técnico e entra no âmbito cômico”, declarou Wagner Victer.
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