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Relatório do MPF aponta contaminação de leite com água oxigenada

29/10 - 14:15, atualizada às 18:52 29/10 - Redação

RIO DE JANEIRO - Um relatório do Ministério Público Federal (MPF) apontou a contaminação de amostras do leite apreendido pela Polícia Federal na Casmil, cooperativa agropecuária de Passos (MG), com peróxido de hidrogênio, mais conhecido como água oxigenada. A substância mascarava más condições de higiene e provocava a destruição das vitaminas A e E contidas na bebida. 

 

A substância misturada ao leite levava até quatro horas pra ser diluída. Por isso, não aparecia nos testes do Ministério da Agricultura. O relatório mostrou, ainda, que a ingestão do leite contaminado poderia causar problemas no estômago e no intestino. Se a concentração da água oxigenada fosse alta, em contato com os olhos, poderia provocar perfuração das córneas.

A Polícia Federal deu início no último dia 22 de outubro à Operação Ouro Branco, que visava desarticular um grupo acusado de adulterar o leite produzido pelas Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), em Uberaba, e Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos. De acordo com as investigações do MPF, as cooperativas são suspeitas de adicionar soda cáustica (hidróxido de sódio) e água oxigenada.

Na operação, 27 suspeitos foram detidos, mas apenas o presidente da Coopervale e outras quatro pessoas de nomes não divulgados pela polícia permanecem presos. O engenheiro químico e diretor da Coopervale Pedro Renato Borges, suspeito de criar a fórmula adulterada do leite com soda caústica, foi libertado na última sexta-feira. De acordo com a Polícia Federal, Borges nega as acusações. A cooperativa disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que os diretores ainda aguardam receber o laudo técnico oficial do MPF para se pronunciarem sobre as denúncias.

A Casmil afirmou, também por meio de sua assessoria, que aguarda decisão da Justiça para se pronunciar sobre o caso. A cooperativa garantiu, no entanto, que o leite fornecido hoje é seguro, já que está sob forte vigilância do Ministério Público e da Fundação de Proteção de Defesa do Consumidor (Procon). Segundo a assessoria da empresa, as denúncias causaram um prejuízo estimado em R$ 2 milhões, podendo afetar cerca de mil produtores (94% deles pequenos fornecedores) e 215 funcionários.

A assessoria da Casmil informou, ainda, que os 74 mil litros de leite lacrados e que foram impedidos de serem comercializados já começaram a ser despejados na estação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em Franca, no interior do Estado. Além da suposta contaminação, o produto é impróprio para consumo por ter sido armazenado por mais de 72 horas. A cooperativa tem capacidade de estocar cerca de 748 mil litros por dia.

De acordo com o gerente da estação da Sabesp em Franca, Rui Cesar Rodrigues Bueno, o recebimento deste material é considerado normal. "É um procedimento de rotina. Nós normalmente recebemos e tratamos como efluente", afirmou. Segundo Bueno, o leite não contaminará a água tratada e distribuída à população. "A diluição é muito grande. Ontem, nós recebemos 49 mil litros desse leite e tratamos mais de 20 milhões de litros de água", esclareceu.

Já a Coopervale ainda não definiu onde os 66 mil litros de leite contaminado apreendidos pela polícia serão despejados. De acordo com a cooperativa, o conselho da empresa e a Vigilância Sanitária se reunirão para definir o melhor local para o despejo. Por enquanto, o produto está nos tanques da Coopervale, em Uberaba.

Análises em todo País

A Vigilância Sanitária de municípios de todo País, em uma ação conjunta com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realiza novas buscas para apreender os lotes de leite que podem estar contaminados com substâncias impróprias para o consumo. Desde a última sexta-feira a Vigilância Sanitária de São Paulo realiza esse trabalho de procura pelos lotes denunciados pela Anvisa e faz autuações.

Os locais vistoriados nesta segunda-feira serão os atacados e as lojas de varejo, de acordo com a assessoria do órgão. Os endereços ainda não foram divulgados. Segundo a Anvisa, será realizada a interdição cautelar desses lotes para que eles sejam encaminhados ao laboratório oficial do Ministério da Saúde, que fará uma análise do leite, para atestar se o produto foi ou não adulterado. Saiba quais lotes foram interditados.

Na última sexta-feira, a Brigada Militar encontrou centenas de caixas de leite enterradas em uma área privada no município de Fazenda Vila Nova, a 90 quilômetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. No último domingo, foram encontradas mais caixas de leite enterradas em outra propriedade particular a 15 quilômetros do local onde foram encontradas embalagens enterradas na sexta-feira.

De acordo com o comandante do 1º Batalhão da Polícia Ambiental do Rio Grande do Sul, major Luiz Eduardo Ribeiro Lopez, o local foi isolado e as caixas de leite podem começar a ser retiradas ainda nesta segunda-feira. "A escavação ainda está sendo feita. Por isso, ainda não sabemos a quantidade de leite que há. Vamos criar um cronograma de limpeza da área, mas a chuva pode atrasar os trabalhos um pouco", explicou o comandante. 

No Rio de Janeiro, uma força-tarefa, formada pelas secretarias estaduais de Agricultura e de Saúde, pelo Ministério Público e pelo Procon, vai analisar o leite vendido no Estado para saber se existem adulterações. Serão investigadas as cooperativas e indústrias leiteiras fluminenses e também o produto vindo de outros Estados. O secretário de Agricultura, Christino Áureo, acredita que em duas semanas, no máximo, a força-tarefa terá condições de analisar produtos de 50 cooperativas e indústrias que abastecem mercado fluminense.

O governo de São Paulo, por intermédio da Fundação Procon-SP e da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, realiza nesta segunda-feira, mais uma operação de fiscalização para averiguar a qualidade do leite longa vida que é comercializado em São Paulo. Os técnicos do Procon-SP e da secretaria coletaram na sexta-feira passada 18 amostras em pontos de venda e encaminharam para análise laboratorial - o resultado deve ser finalizado até o final da semana.

(Com informações da Agência Estado)

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