29/10 - 14:20, atualizada às 14:23 29/10 - Redação com agências
RIO DE JANEIRO – Um relatório elaborado pela Geo-Rio e pela RioÁguas revelou que um vazamento numa tubulação de alta pressão da Cedae causou o deslizamento de terras no Túnel Rebouças, na última quarta-feira. A galeria do Túnel Rebouças, no sentido zona norte, foi reaberta às 5h desta segunda-feira, depois de permanecer cinco dias interditada.
De acordo com a prefeitura, a tubulação é responsável pelo abastecimento das caixas-d’água da comunidade Cerro Corá, localizadas na Ladeira dos Guararapes. Segundo o secretario municipal de Obras, Eider Dantas, esta foi a principal causa dos deslizamentos de terra da encosta do túnel.
"Tínhamos certeza de que havia um vazamento. Pedimos ajuda à Cedae há seis dias e só ontem, domingo, é que o furo, de 150 milímetros, foi consertado. Assim, podemos trabalhar melhor", afirmou Dantas.
O secretário afirmou que os moradores da favela reclamavam “há meses” dos problemas com o abastecimento de água da Cedae, de acordo com informações à rádio “CBN”. Ele disse que o presidente da companhia, Wagner Victer, poderá ser acionado judicialmente pelo deslizamento.
Segundo o secretário, serão gastos cerca de R$ 5 milhões nas obras definitivas de contenção no local, que devem ser iniciadas na próxima segunda-feira.
A Cedae ainda não se pronunciou oficialmente sobre o relatório.
Galeria reaberta
A galeria no sentido zona norte fica aberta até as 16h, quando terá o tráfego invertido para facilitar a volta para casa dos moradores da zona sul da cidade. A abertura teve reflexo no trânsito que está bem melhor do que registrado nos últimos dias.
Segundo a prefeitura do Rio, cerca de seis mil toneladas de terra já foram retiradas da encosta localizada acima da entrada do túnel e abaixo do Morro Cerro-Corá, no Cosme Velho. No entanto, a quantidade de terra que caiu da encosta seria bem maior do que as sete mil toneladas estimadas inicialmente. A reabertura da galeria no sentido norte-sul está prevista para acontecer entre quarta e quinta-feira.
O Rebouças, principal ligação entre as zonas norte e sul da cidade, está fechado desde a noite de terça-feira. A encosta acima do túnel sofreu sete deslizamentos na quarta-feira, o que resultou em sete mil toneladas de terra na pista sentido zona sul.
Na semana passada, o secretário municipal de Transportes, Arolde de Oliveira, disse que a Prefeitura do Rio adotaria o rodízio de carros, nos mesmos moldes da capital paulista, se houvesse atraso na liberação do Rebouças. Moradores do Cerro-Corá reclamam que o fornecimento de água foi suspenso há cinco dias. A Prefeitura anunciou que irá disponibilizar carros-pipas para abastecer a caixa d'água da favela.
Trabalho no final de semana
No último domingo, os operários e técnicos da prefeitura avançaram na construção de um tapume, iniciada no sábado, para que não caiam árvores e terra da encosta no asfalto. Uma retroescavadeira chegou a subir no morro ontem para retirada de terra e vegetação, mas desceu logo em seguida devido à instabilidade do terreno.
Os funcionários trabalharam até a madrugada de domingo, interromperam o trabalho por algumas horas e o reiniciaram às 6h.
Causas do deslizamento
A secretaria municipal de Obras informou neste domingo que uma rachadura em um cano pode ser considerada uma das causas do deslizamento de terras sobre o Túnel Rebouças. Funcionários da prefeitura localizaram o cano de água potável de duas polegadas com sinais de vazamento no Morro Cerro Corá, durante os trabalhos de recuperação da encosta no último domingo. A Geo-Rio espera divulgar o laudo conclusivo sobre as causas do deslizamento ainda esta semana.
Segundo a prefeitura, nesta segunda-feira os operários farão a limpeza final do terreno sobre a Galeria 2, onde houve o desabamento, e o nivelamento do solo, além do prolongamento do tapume sobre esta galeria. Funcionários da Comlurb já retiraram seis mil toneladas de terra do local com o auxílio de 300 caminhões. Todo material retirado está sendo levado para o Aterro Sanitário do Caju.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, respondeu às acusações, afirmando que a rachadura poderia ter sido causada pelos funcionários da prefeitura durante as obras de recuperação da encosta. Victer disse ainda que o vazamento no cano não conseguiria provocar um deslizamento da “magnitude” daquele que ocorreu sobre o túnel Rebouças.
A secretaria municipal de Transportes informou que durante as obras de contenção de encosta, os acessos ao Cosme Velho permanecerão fechados. A prefeitura pede que a população colabore, fazendo uso do transporte solidário ou do transporte público, para melhorar o tráfego na cidade até que a galeria seja reaberta.
Diariamente, trafegam pelo Túnel Rebouças 190 mil veículos, sendo 96% carros de passeio. Aproximadamente 90 mil dos veículos são automóveis de passeio com apenas uma pessoa.
(*Com informações da Agência Estado)
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