29/10 - 16:07, atualizada às 16:38 29/10 - Redação com agências
RIO DE JANEIRO – A Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (Cedae) afirmou que não pode ser responsabilizada pelo deslizamento de terras no Túnel Rebouças, na última quarta. Nesta segunda-feira, um relatório da prefeitura apontou um furo numa tubulação de alta pressão como causa principal do acidente. O presidente da companhia, Wagner Victer, negou as acusações e disse que a atribuição de culpa “caiu no âmbito cômico”.
De acordo com o relatório elaborado pela Geo-Rio e pela RioÁguas , a tubulação é responsável pelo abastecimento das caixas-d’água da comunidade Cerro Corá, localizadas na Ladeira dos Guararapes. Segundo o secretario municipal de Obras, Eider Dantas, o furo na tubulação foi a principal causa dos deslizamentos de terra da encosta do túnel.
Segundo a Cedae, a tubulação que teria causado o problema passa a um quilômetro do local do acidente e “em hipótese alguma poderia ter causado o deslizamento no Rebouças. Mais uma vez, a prefeitura está querendo passar a culpa para a Cedae”.
O presidente da empresa, Wagner Victer, informou que o cano mostrado foi encontrado pela Cedae no último fim de semana e que a rachadura equivale a meia polegada, ou seja, seria incapaz de derrubar uma encosta.
"Tínhamos certeza de que havia um vazamento. Pedimos ajuda à Cedae há seis dias e só ontem, domingo, é que o furo, de 150 milímetros, foi consertado. Assim, podemos trabalhar melhor", afirmou Dantas.
Victer acrescentou que “mesmo se fosse um grande vazamento e o morro inteiro vazasse ao mesmo tempo, a responsabilidade pela drenagem da água, contenção de encosta e controle do crescimento desordenado da favela não é da Cedae, mas são responsabilidades da prefeitura”.
“É um absurdo afirmar que um vazamento num cano como este causou o acidente. Esta afirmação da prefeitura começa a sair do âmbito técnico e entra no âmbito cômico”, declarou.
Eider Dantas afirmou que os moradores da favela reclamavam “há meses” dos problemas com o abastecimento de água da Cedae, de acordo com informações à rádio “CBN”. Ele disse que o presidente da companhia, Wagner Victer, poderá ser acionado judicialmente pelo deslizamento. Segundo o secretário, serão gastos cerca de R$ 5 milhões nas obras definitivas de contenção no local, que devem ser iniciadas na próxima segunda-feira.
Túnel reaberto
A pista do túnel no sentido zona norte foi reaberta às 5h da manhã de hoje, depois de permanecer interditada durante cinco dias. Às 16h, o tráfego foi invertido para facilitar a volta para casa dos moradores da zona sul da cidade. A abertura teve reflexo no trânsito ficou melhor do que registrado nos últimos dias.
Segundo a prefeitura do Rio, cerca de seis mil toneladas de terra já foram retiradas da encosta localizada acima da entrada do túnel e abaixo do Morro Cerro-Corá, no Cosme Velho. A reabertura do túnel no sentido norte-sul está prevista para acontecer na quarta-feira.
O Rebouças, principal ligação entre as zonas norte e sul da cidade, está fechado desde a noite de terça-feira. A encosta acima do túnel sofreu sete deslizamentos na quarta-feira, o que resultou em sete mil toneladas de terra na pista sentido zona sul.
A secretaria municipal de Transportes informou que durante as obras de contenção de encosta, os acessos ao Cosme Velho permanecerão fechados. A prefeitura pede que a população colabore, fazendo uso do transporte solidário ou do transporte público, para melhorar o tráfego na cidade até que a galeria seja reaberta.
Diariamente, trafegam pelo Túnel Rebouças 190 mil veículos, sendo 96% carros de passeio. Aproximadamente 90 mil dos veículos são automóveis de passeio com apenas uma pessoa.
Causas do deslizamento
A troca de acusações entre a prefeitura e o governo estadual começou no último domingo, quando a secretaria municipal de Obras informou que uma rachadura em um cano pode ser considerada uma das causas do deslizamento de terras sobre o Túnel Rebouças. Funcionários da prefeitura localizaram o cano de água potável de duas polegadas com sinais de vazamento no Morro Cerro Corá, durante os trabalhos de recuperação da encosta no último domingo.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, respondeu às acusações, afirmando que a rachadura poderia ter sido causada pelos funcionários da prefeitura durante as obras de recuperação da encosta.
(*Com informações da Agência Estado)
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