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Anvisa faz novas buscas por leite adulterado no País

29/10 - 10:17, atualizada às 13:51 29/10 - Redação com Agência Estado

SÃO PAULO - A Vigilância Sanitária dos municípios de todo o País, em uma ação conjunta com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realiza novas buscas para apreender os lotes de leite que podem estar contaminados com substâncias impróprias para o consumo. Desde sexta-feira a Vigilância Sanitária de São Paulo realiza esse trabalho de procura pelos lotes denunciados pela Anvisa e faz as autuações.

Os locais vistoriados nesta segunda-feira serão os atacados e as lojas de varejo, de acordo com a assessoria do órgão. Os endereços ainda não foram divulgados.

Segundo a Anvisa, será realizada a interdição cautelar desses lotes para que eles sejam encaminhados ao laboratório oficial do Ministério da Saúde, que fará uma análise do leite, para atestar se o produto foi ou não adulterado. Saiba quais lotes foram interditados.

Na última sexta-feira, a Brigada Militar encontrou centenas de caixas de leite enterradas em uma área privada no município de Fazenda Vila Nova, a 90 km de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. No último domingo, foram encontradas mais caixas de leite enterradas em outra propriedade particular a 15 km do local onde foram encontradas embalagens enterradas na sexta-feira.

De acordo com o comandante do 1º Batalhão da Polícia Ambiental do Rio Grande do Sul, major Luiz Eduardo Ribeiro Lopez, o local foi isolado e as caixas de leite podem começar a ser retiradas ainda nesta segunda-feira. "A escavação ainda está sendo feita. Por isso, ainda não sabemos a quantidade de leite que há. Vamos criar um cronograma de limpeza da área, mas a chuva pode atrasar os trabalhos um pouco", explicou o comandante.

A operação

A Polícia Federal deu início no último dia 22 de outubro à Operação Ouro Branco, que visava desarticular um grupo acusado de adulterar o leite produzido pelas Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), em Uberaba, e Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos. De acordo com as investigações do Ministério Público Federal (MPF), as cooperativas são suspeitas de adicionar soda cáustica (hidróxido de sódio) e água oxigenada (peróxido de hidrogênio). Na operação, 27 pessoas foram detidas, mas apenas dois diretores das cooperativas acusadas permanecem presos.

A Casmil afirmou por meio de sua assessoria que aguarda a decisão da Justiça para se pronunciar sobre o caso. A cooperativa garantiu, no entanto, que o leite fornecido hoje é seguro, já que está sob forte vigilância do Ministério Público e do Procon. Segundo a assessoria da empresa, as denúncias causaram um prejuízo estimado em R$ 2 milhões, podendo afetar cerca de mil produtores (94% deles pequenos fornecedores) e 215 funcionários.

A assessoria da Casmil informou, ainda, que os 74 mil litros de leite lacrados, cujas amostras estão sendo analisadas, e que foram impedidos de serem comercializados serão jogados fora na estação da Sabesp (companhia de saneamento do Estado de São Paulo) em Franca. Apesar do laudo técnico ainda não ter sido concluído, o produto já está impróprio para consumo por ter sido armazenado por mais de 72 horas. A cooperativa tem capacidade de estocar cerca de 748 mil litros por dia.

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