26/10 - 08:36, atualizada às 12:46 26/10 - Da Redação do Último Segundo
RIO DE JANEIRO - O Corpo de Bombeiros auxilia técnicos e operários que trabalham no Túnel Rebouças, no Rio, nesta desta sexta-feira. De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, os bombeiros utilizarão jatos de água de alta pressão para induzir o deslizamento da terra que ainda permanece na encosta. O túnel, principal ligação entre as zonas norte e sul da cidade, está interditado devido a vários desmoronamentos ocorridos na quarta-feira. O fechamento do Túnel causa reflexos no trânsito.
Ainda segundo a Secretaria, os jatos de água serão jogados na parte da encosta que fica acima da pista sentido zona sul, a mais atingida pelos deslizamentos. Nessa área, o terreno ainda é muito instável e, por isso, as máquinas não conseguem subir. No outro lado do morro, acima da via sentido zona norte, operários trabalham limpando o terreno manualmente.
"Ainda tem muita terra para cair. Queremos desbarrancar o morro, induzindo os deslizamentos, para que a retroescavadeira possa atuar sem risco de ser soterrada", declarou o secretário municipal de Obras, Eider Dantas.
Dantas evita dar prazos para a liberação do túnel, mas divulgou através de sua assessoria que a via sentido zona norte deve ser a primeira a ser liberada. Segundo ele, essa pista pode ser reaberta 48 horas depois que as chuvas pararem. Já a via sentido zona sul ainda não tem previsão de liberação.
Causas dos deslizamentos
A causa mais provável para os desmoronamentos, de acordo com o secretário, é uma "surgência" de água, verificada às 20h30 da última terça-feira, combinada com a forte chuva da quarta. Os maiores deslizamentos ocorreram aproximadamente às 7h, 8h20, 9h, 12h30, 14h30, 18h e 22h30 da quarta-feira.
O secretário eximiu a Prefeitura de responsabilidade pelo deslizamento de terra e afirmou que "contra dilúvio só mesmo a Arca de Noé". A Prefeitura estimou que precisará remover pelo menos 700 caminhões lotados de barro para liberar as pistas.
As hipóteses trabalhadas para a "surgência" de água são o rompimento de um cano da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) ou de um cano de ligação de água irregular. O presidente da Geo-Rio, Mauro Baptista, também falou sobre a possibilidade de um brotamento natural de águas pluviais acumuladas.
Em entrevista à GloboNews, o prefeito do Rio, César Maia, também apontou o rompimento de um cano como possível causa para os deslizamentos. Segundo ele, a Prefeitura realizou investimentos em estrutura nos morros. “Nas favelas, não vimos pessoas desalojadas nem encostas desabando”, afirmou.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, no entanto, negou à emissora que haja adutoras na área. A empresa já havia informado que técnicos enviados ao local não encontraram vazamentos em nenhum cano.
A Defesa Civil do município do Rio de Janeiro também apontou uma queimada, ocorrida há cerca de um mês, como uma das possíveis causas. De acordo com o presidente da Geo-Rio, os técnicos devem demorar uma semana para terem os resultados sobre os motivos do incidente.
Dantas garantiu que o desmoronamento não comprometerá a estrutura das galerias do Túnel Rebouças. “Depois que a chuva parar, vamos levar os tratores para a parte superior. Remover a terra fofa de cima, recolher a terra que deslizou e estudar que tipo de contenção podemos fazer”, declarou. Uma torre de telefonia localizada logo acima da encosta está ameaçada de cair caso os deslizamentos continuem.
Desabrigados
As fortes chuvas que atingiram o Estado do Rio de Janeiro nos últimos dois dias já obrigaram 1.557 pessoas a deixarem suas casas. A região mais atingida é a Baixada Fluminense, onde há 828 desalojados e 581 desabrigados, segundo a Defesa Civil Estadual. De acordo com o Climatempo deve chover mais nesta sexta-feira e no final de semana no Rio de Janeiro.
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