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Operários começam a trabalhar na encosta do Túnel Rebouças

25/10 - 05:56, atualizada às 16:43 25/10 - Redação

RIO DE JANEIRO - Cerca de 10 operários da Prefeitura do Rio iniciaram a retirada da terra na parte que não sofreu deslizamentos da encosta acima do Túnel Rebouças. Essa área correspondente à pista sentido zona norte. Na última quarta-feira, cerca de sete mil toneladas de terra caíram na outra via, sentido zona sul, após sete deslizamentos na encosta. O secretário municipal de Obras, Eider Dantas, evita dar prazos para a liberação do túnel, mas divulgou através de sua assessoria que a via sentido zona norte deve ser a primeira a ser liberada. 

 

Segundo a Secretaria, essa pista pode ser reaberta 48 horas depois que as chuvas pararem. Já a via sentido zona sul, mais atingida pelo deslizamento, ainda não tem previsão de liberação. 

O órgão municipal também informou que não é possível retirar a terra do lado onde houve deslizamento e começar as obras enquanto estiver chovendo, pois haveria risco aos operários. Os técnicos da Defesa Civil e da Prefeitura realizaram uma inspeção, nesta manhã, e concluiram que, se continuar chovendo fraco, não deve haver mais deslizamentos, mas ainda não há segurança para o início da retirada da terra.

Nesta quinta, um funcionário da Prefeitura se feriu sem gravidade na encosta. De acordo com a Secretaria de Obras, ele machucou a mão enquanto trabalhava na retirada de um muro e foi levado para o Hospital Souza Aguiar, no Centro.

A Defesa Civil informou que busca a origem de uma fonte de água corrente na encosta. Segundo os funcionários, o vazamento de água pode ter sido causado pela chuva, por uma infiltração ou mesmo por uma tubulação irregular da favela do Cerro Corá.

Esquema especial para o trânsito

Diariamente, 220 mil veículos passam pelo Rebouças. Com a interdição, o trânsito no Rio ficou três vezes mais lento em comparação aos dias normais, segundo medições da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Os pontos mais críticos são na zona sul, principalmente próximo ao Túnel Santa Bárbara, para onde foi desviado o tráfego do Rebouças. Os bairros com mais lentidão são Botafogo e Copacabana. Veja as condições do trânsito.  

De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes, a faixa reversível da Auto-Estrada Lagoa-Barra não funcionará nesta quinta-feira por conta do fechamento do túnel. Segundo o órgão, a medida busca aliviar o movimento na zona sul. Já as faixas reversíveis da Avenida Niemeyer e da orla do Leblon, de Ipanema e de Copacabana serão mantidas.

A Secretaria aconselha a população a deixar o carro na garagem e usar o transporte público, principalmente o metrô e trens. Dez linhas de ônibus que atravessam o túnel tiveram seus itinerários remanejados para o Túnel Santa Bárbara. As linhas são: 569, 570, 460, 461, 462, 463, 473, 476, 438 e 110.

O Metrô volta a operar nesta quinta-feira com intervalos de 4 minutos na Linha 1 e 4,5 minutos na Linha 2 e com 100% da sua frota. A SuperVia também opera com capacidade máxima e estuda colocar trens extras ao final do dia, caso haja necessidade.

Causas dos deslizamentos

A causa mais provável para os desmoronamentos, de acordo com o secretário, é uma "surgência" de água, verificada às 20h30 da última terça-feira, combinada com a forte chuva da quarta. Os maiores deslizamentos ocorreram aproximadamente às 7h, 8h20, 9h, 12h30, 14h30, 18h e 22h30 da quarta-feira.

O secretário eximiu a Prefeitura de responsabilidade pelo deslizamento de terra e afirmou que "contra dilúvio só mesmo a Arca de Noé". A Prefeitura estimou que precisará remover pelo menos 700 caminhões lotados de barro para liberar as pistas.

Nara Alves, do Último Segundo
Desabamento no Rio
Principal túnel do Rio ficou interditado
e atrapalhou o trânsito na cidade
As hipóteses trabalhadas para a "surgência" de água são o rompimento de um cano da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) ou de um cano de ligação de água irregular. O presidente da Geo-Rio, Mauro Baptista, também falou sobre a possibilidade de um brotamento natural de águas pluviais acumuladas.

A Cedae nega qualquer tipo de rompimento na tubulação que passa próximo ao túnel. Segundo a empresa, os tubos já foram desativados e técnicos enviados ao local não encontraram nenhum vazamento. O secretário, no entanto, insistiu que a hipóstese será averiguada.

A Defesa Civil do município do Rio de Janeiro também apontou uma queimada, ocorrida há cerca de um mês, como uma das possíveis causas. De acordo com o presidente da Geo-Rio, os técnicos devem demorar uma semana para terem os resultados sobre os motivos do incidente.

Dantas garantiu que o desmoronamento não comprometerá a estrutura das galerias do Túnel Rebouças. “Depois que a chuva parar, vamos levar os tratores para a parte superior. Remover a terra fofa de cima, recolher a terra que deslizou e estudar que tipo de contenção podemos fazer”, declarou. Uma torre de telefonia localizada logo acima da encosta está ameaçada de cair caso os deslizamentos continuem.

(*com reportagem de Nara Alves, do Último Segundo, e informações da agência Estado)

 

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