25/10 - 20:22 - Agência Brasil

Os moradores das favelas do Rio de Janeiro acham importante a presença da polícia nas comunidades, mas consideram imprescindível uma mudança nas atividades rotineiras e o fim das operações policiais.
As conclusões são da pesquisa Rompendo o cerceamento da palavra: a voz dos favelados em busca de reconhecimento, realizada entre 2005 e 2007, e divulgada hoje (25) pelo Instituto Brasileiro de Análise Sociais e Econômicas (Ibase) e Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).
Os depoimentos, segundo o professor de sociologia do Iuperj Luiz Antônio Machado, mostram a necessidade do desenvolvimento de uma política de segurança pública que leve em consideração as impressões de quem mora nas favelas.
"A idéia de que se consegue ordenar a vida social na base da guerra é errada, porque a repressão não garante a ordem. Para que exista a ordem social, é preciso que as pessoas consigam discutir seus problemas. E, decididamente, os moradores [das favelas] imploram pela presença da polícia, mas com o uso comedido da força", disse.
O estudo também concluiu que são os jovens os mais afetados pela violência nas comunidades. Coordenador da pesquisa, Machado disse que eles costumam alterar seu cotidiano para evitar a punição, tanto do tráfico quanto da polícia.
"Em relação à polícia, eles não podem fazer nada. Quanto ao tráfico, eles tentam identificar quais são as marcas das facções. E, muitas vezes, eles não usam certos tipos de marca de roupa, não andam em determinadas linhas de ônibus que possam identificá-los com a facção rival da que comanda a comunidade onde eles moram", informou Machado.
As conclusões do estudo serão discutidas no seminário Favela é cidade! Violência e ordem pública, a ser realizado segunda (29) e terça-feira (30), no Rio de Janeiro.
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