25/10 - 12:46 - Eduardo Bresciani - Último Segundo/ Santafé Idéias
Desconfiado. É assim que o PSDB vai para a reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nessa quinta-feira, para debater a proposta de prorrogação da CPMF até 2011. O partido afirma estar no limite da negociação e coloca diversas exigências para um acordo.
As declarações do ministro ontem, aliás, ajudaram a piorar o clima para o encontro. Mantega afirmou que o governo Lula deseja deixar a CPMF de "herança" para o próximo presidente, em um claro recado a José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG). O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio, não gostou: "Peço ao ministro Mantega que fique calado, o silêncio quase sempre é de ouro".
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) fez ainda outra interpretação das declarações do titular da Fazenda. "Ontem o ministro disse que quer deixar a CPMF como legado para o próximo governo. Isso é pior ainda porque mostra que eles querem transformar esse imposto perverso em permanente".
Nessa semana, os tucanos fecharam uma lista de reivindicações para aprovar a prorrogação do "imposto do cheque". O PSDB pede que o governo aumente os investimentos em Saúde, adote um redutor de gastos públicos a partir do próximo ano, faça desonerações pontuais, ajude na aprovação de um projeto que endurece a Lei de Responsabilidade Fiscal para a União e reduza a alíquota do "imposto do cheque". Mesmo assim, o partido só aceita a prorrogação por um ano e com o compromisso de realizar uma reforma tributária no ano que vem.
Virgílio alerta que a negociação pode acabar hoje. "Se sentirmos que o governo foi sincero as negociações podem continuar, se não podemos encerrar as conversas hoje".
O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC) está esperançoso de um acordo. "O PSDB tem muita maturidade política, tem posição ideológica e a visão de reforma tributária e CPMF muito bem definidas.
Acho que será um diálogo em busca de um ponto de aceitação que envolva os dois lados". Em busca da simpatia dos tucanos, ele também criticou Mantega pela vinculação da negociação com a eleição de 2010. "Vincular a CPMF ao processo eleitoral não é bom. É melhor tratá-la assim, partidarizar não é bom para o governo nem para qualquer agente público".
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