24/10 - 12:49, atualizada às 17:32 24/10 - Redação com reportagem de Nara Alves
RIO DE JANEIRO – O secretário municipal de Obras do Rio de Janeiro, Eider Dantas, afirmou na manhã desta quarta-feira que os trabalhos de recuperação do Túnel Rebouças devem demorar dois dias. Segundo ele, todas as medidas para conter o deslizamento de terras no local foram tomadas pela prefeitura. Dantas disse que as chuvas que atingiram o Rio nas últimas 24 horas equivalem à quantidade de 45 dias normais na cidade.
Desde 22h da noite de ontem, deslizamentos de terra provocados pela forte chuva interditaram o túnel, principal via de ligação das zonas norte e sul da cidade, por onde passam diariamente cerca de 180 mil veículos.
Até as 14h30 desta quarta-feira, já havia ocorrido cinco fortes deslizamentos. A terra que está desmoronando é exatamente a da parte que o secretário de obras afirmou mais cedo que seria removida. Segundo os especialistas que estão no local, quando a chuva passar, a terra que sobrar na área será induzida ao desmoronamento.
O primeiro sinal de que poderia haver deslizamento na área foi detectado às 16h de ontem. Por voltas das 22h, com a constatação de que o risco era maior, o túnel foi interditado. Por essa razão, não houve feridos no primeiro desmoronamento.
O secretário afirmou já foram investidos R$200 milhões em encostas. Entre as medidas adotadas estão a construção de um muro de contenção e o reflorestamento feito em 1996, quando famílias que ocupavam irregularmente a região do morro Cerro Corá foram retiradas do local por medida de segurança.
“Foram 161 mm de chuva em 24 horas, isso é equivalente a 45 dias de chuvas normais no Rio, concentrado em um só ponto. Não tem quem resista a isso”, disse Eider Dantas.
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Um operário da Geo-Rio, que pediu para não ser identificado, contou que o segundo deslizamento começou às 8h30, quando as equipes de retirada de terra se preparavam para começar a trabalhar.
O trabalho das equipes da Geo-Rio foi interrompido na manhã de hoje e somente será retomado quando as chuvas diminuírem, para evitar que haja vítimas. Eider Dantas disse que os técnicos da prefeitura estão “na batalha” e espera concluir a remoção da terra em dois dias.
“Depois que a chuva parar, vamos levar os tratores para a parte superior. Remover a terra fofa de cima, recolher a terra que deslizou e estudar que tipo de contenção podemos fazer”, declarou.
Por volta de 13h, o secretário deixou o local do deslizamento para se reunir com o prefeito César Maia, no prédio da Prefeitura, no Centro.
Pontos de alagamento
Segundo a Defesa Civil, os bairros do Centro, Sepetiba e Tijuca apresentam focos de alagamento. Nas últimas horas, foram registrados mais de 50 chamados, a maioria para solucionar problemas de infiltrações e rachaduras em casas.
Em outros bairros da cidade, como Botafogo, Campo-Grande, Realengo, Barra da Tijuca, Glória, Freguesia, Recreio dos Bandeirantes, e em pontos da Avenida Brasil e da Linha Vermelha também há áreas alagadas. O trânsito nesses locais continua muito congestionado.
| Futura Press |
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Na Vila Geni, no município de Itaguaí, várias casas foram inundadas. No centro da Pavuna, um rio transbordou, próximo à rodoviária, alagando casas e estabelecimentos comerciais. Não há registro de feridos.
De acordo com a CET-Rio, o principal ponto de alagamento na cidade é na Rua Frei Caneca, no Centro, na altura da Rua Mem de Sá, o que provocou o fechamento da via. Também estão alagadas as ruas São Clemente e Voluntários da Pátria, em Botafogo, a Praça da Bandeira, a Rua do Catete e a Rua Conde de Bonfim, na Tijuca.
Uma casa desabou no Morro da Providência, no Santo Cristo, devido a um deslizamento de terras. De acordo com a Defesa Civil, a casa era antiga e a estrutura não agüentou. Não há registro de feridos.
Quedas de energia
As fortes chuvas também provocam quedas de luz por toda a cidade. Segundo a Light, empresa que fornece energia para o Rio, trechos de Rio Comprido, Estácio, Acari, Jardim América, Irajá e Campo Grande, além do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ficaram sem luz durante boa parte da manhã.
Em Irajá, Acari e Jardim América, a energia já foi restabelecida. No Rio Comprido, Campo-Grande, Estácio e Freguesia a previsão de normalização é para as 16h. A companhia informou que também enfrenta problemas nos bairros São Bento, Vila Rosário, Parque Lafayete, Parque Laguna e Dourados, em Duque de Caxias. A normalização da energia deve ocorrer no final da tarde.
Na parte da manhã, as quedas de luz atingiram Anil, Freguesia, Jacarepaguá, Tijuca, Cosme Velho, Barra da Tijuca e o município de Nova Iguaçu, na Baixada. Algumas áreas chegaram a ficar duas horas sem energia elétrica.
Nó no trânsito
As pistas em direção à zona sul foram bloqueadas primeiro. As pistas sentido 1 (Lagoa-Centro) estão fechadas. Há bastante lentidão no trânsito local.
A Avenida Borges de Medeiros, na zona sul do Rio, foi interditada na altura da Rua Mário Ribeiro, para bloquear o acesso ao túnel e evitar tumulto no local. O tráfego está sendo direcionado para a Avenida Epitácio Pessoa.
De acordo com a Coordenadoria de Vias Especiais (CVE), o motorista que vai para a zona norte deve pegar a Praça da Bandeira, seguir pela Avenida Presidente Vargas e pelo túnel Santa Bárbara. A alternativa é seguir pela orla e pegar o Aterro do Flamengo.
A Defesa Civil Estadual foi acionada três vezes na manhã de hoje. Na rodovia Rio-Santos, houve queda de um barranco, na altura do Km 520, em Praia Brava. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, máquinas estão no local para retirar a terra e o trânsito foi desviado pelo acostamento e pelo recuo de um condomínio, permanecendo normalizado. No Km 466 da mesma rodovia, há lama na pista, mas o tráfego não foi alterado.
Na rodovia Dutra, o trânsito é complicado nos acessos e para quem se dirige à Avenida Brasil. A Ponte Rio-Niterói também tem tráfego intenso no sentido Rio, com retenções nos pontos de saída.
Operação Chuva
A Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciou na manhã desta quarta-feira a Operação Chuva em vários pontos da cidade.
De acordo com a assessoria de imprensa da PM, o objetivo da ação é monitorar pontos de alagamento e retenção nas vias e impedir que haja assaltos e roubos a motoristas nos pontos mais críticos de congestionamento.
A polícia informou que não houve nenhuma ocorrência de crimes relacionados aos engarrafamentos provocados pela chuva.
Principais pontos de congestionamento no Rio:
(*Com informações da Agência Estado)
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