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Promotor afirma que Igreja Renascer usa dinheiro de doações para benefício próprio

23/10 - 11:32, atualizada às 16:30 23/10 - Redação

SÃO PAULO - O promotor de Justiça Marcelo Mendroni e o delegado do Grupo de Operações Táticas (GOE) da Polícia Civil, Antônio Sucupira Neto, apresentaram, na manhã desta terça-feira, material apreendido em três unidades assistenciais mantidas pela Igreja Renascer, no bairro Heliópolis, em São Paulo. O promotor acusa a igreja de não repassar os recursos às entidades filantrópicas. "A Renascer afirma que recebe o dinheiro das doações para as instituições, mas eles pegam o dinheiro para o enriquecimento do próprio patrimônio", afirmou.

O Ministério Público solicitou um mandado de busca nas instituições Casa Lar, em Franco da Rocha (Grande SP); Núcleo Assis, em Heliópolis (zona sul de SP); e Casa de Recuperação, em Santana do Parnaíba (SP), mantidas pela igreja liderada por Sonia Haddad Moraes Hernandes e por seu marido Estevam Hernandes.

Em resposta ao MP, a Igreja Renascer convidou jornalistas e a população em geral a visitar as entidades assistenciais. "Melhor do que falar é abrir espaço para que a população cheque", informa por meio de assessoria de imprensa. O convite é válido "para quem quiser" e inclui conversas com os assistidos e seus familiares.

Na semana passada, o MP e a Polícia Civil fizeram visitas a estes locais e encontraram diversas irregularidades. "Constamos, através de fotografias e imagens, que as instiuições estão abandonadas pela Igreja Renascer à própria sorte".

O promotor afirma que "se as verbas arrecadas com as doações fossem repassadas às entidades filantrópicas, os locais não estariam nas condições precárias em que foram encontrados".

De acordo com o promotor, foram apreendidos documentos nas instituições. Todo o material será encaminhado para as entidades governamentais, para que os municípios possam analisar e tomar providências.

A assessoria da Igreja Renascer afirma que vai divulgar uma nota oficial sobre o caso ainda nesta terça-feira.

O caso

No dia 9 de janeiro deste ano, Estevam e Sonia foram presos ao tentarem entrar nos EUA com US$ 56,467 mil espalhados dentro de uma mala. Segundo as autoridades americanas, eles deveriam ter declarado o valor na alfândega, pois levam mais de US$10 mil.

Em agosto, os fundadores da Igreja Renascer, foram condenados pela Justiça americana a 140 dias de prisão e mais cinco meses de prisão domicilar.

Uma reportagem publicada pela revista “Veja”,  edição de 3 de outubro, revelou que o casal Estevam e Sonia Hernandes, adquiriu um patrimônio de R$ 130 milhões.

Um outro levantamento, feito pela Secretaria de Fazenda de São Paulo, teria descoberto que empresas ligadas à Igreja Renascer devem R$ 6,5 milhões ao fisco estadual. O montante seria resultado de multas aplicadas por irregularidades encontradas em empresas fantasmas da família Hernandes.

No Brasil, o MP pediu o bloqueio dos bens da Igreja Renascer e do casal por entender que a comunidade neopentecostal se comportava como uma organização criminosa que praticava lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e estelionato.

A Igreja Renascer em Cristo, fundada pelo casal em 1986, conta com milhares de fiéis e mais de 1.200 templos no Brasil. A Igreja também tem templos fora do País, nas cidades americanas de Orlando, Deerfield Beach e Boston.

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