23/10 - 17:48 - Redação com Reuters
RIO DE JANEIRO - A pesquisa "O Estado da Juventude: drogas, prisões e acidentes", divulgada nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica que os maiores consumidores de drogas ilícitas no Brasil são homens brancos e de classe alta. O estudo, que se concentra em quatro tipos de substâncias – maconha, cigarros de maconha, cocaína e lança-perfume –, apresenta estatísticas acerca de usuários declarados.
Segundo os resultados, 85% das pessoas que assumiram usarem drogas são brancas, 99% são do sexo masculino e 62%, de classe A. Outras estatísticas da pesquisa apontam que 86% desses usuários têm entre 10 e 29 anos, enquanto 80% moram com os pais e 88% são católicos.
O grau de escolaridade entre eles também é alto, já que 30% freqüentam universidades e 54% estão na escola. A proporção dos que freqüentam instituições de ensino entre os consumidores de drogas é três vezes maior do que na sociedade em geral.
A maioria da população consumidora - 75% - se concentra no sudeste, principalmente nas capitais, com 42,25% dos usuários. A média gasta por essas pessoas com drogas ilícitas é de R$ 45,77 por mês.
O economista Marcelo Néri batizou o estudo de "Droga de Elite", em referência ao filme "Tropa de Elite", de José Padilha. "O retrato é muito semelhante daquele traçado no filme. Quem consome drogas é o garoto de elite, são jovens homens brancos solteiros de alta renda que vivem nas capitais do Sudeste e freqüentam uma instituição privada de ensino: 62% da classe A, com cartão de crédito", disse.
O estudo mostra ainda que apenas 0,06% da população do Brasil declarou consumir drogas. "Nossa política contra o tráfico enfatiza muito a questão da oferta, e pouco a questão do consumidor, como o filme chama a atenção. É preciso ter alguma política sobre isso, seja a liberação do consumo de drogas leves, seja uma repressão. Acho que estamos no pior dos mundos."
Ele interpretou como "efeito colateral da droga" o fato de o estudo ter detectado, entre esses jovens, alto índice (11,8%) de atraso no pagamento de aluguel e de moradia em áreas onde foram relatados problemas com violência na vizinhança (63%).
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