19/10 - 13:41 - Renata Castro, do Último Segundo
RIO DE JANEIRO – O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aloísio Teixeira, vai se reunir na tarde desta sexta-feira com representantes dos alunos que invadiram o prédio da reitoria, para decidir sobre a manutenção da ocupação. Segundo os estudantes, o objetivo da ação é protestar contra a adesão da UFRJ ao Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.
O prédio da reitoria da UFRJ, na Ilha do Governador, foi ocupado por cerca de 200 estudantes na manhã da última quinta-feira, após a aprovação do Programa de Reestruturação e Expansão da UFRJ (PRE/UFRJ) pelo Conselho Universitário (Consuni). O programa será encaminhado ao Ministério da Educação (MEC) para concorrer às verbas previstas no Reuni.
A assembléia teve participação de aproximadamente 500 pessoas e foi marcada por protestos de alunos ligados a partidos políticos, como PSTU e PSol, e à Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (Conlute). Os estudantes tentaram impedir a votação com encenações teatrais e gritos de guerra. De acordo com Thiago Machado, diretor da União Estadual dos Estudantes (UEE), que apóia o Reuni, “baderneiros” agrediram professores e estudantes.
Segundo a UFRJ, por causa do tumulto, o reitor Aloísio Teixeira suspendeu as inscrições para o debate e antecipou a deliberação. Como a maior parte dos conselheiros votou a favor da resolução, o documento foi aprovado. Após a decisão, cerca de 200 pessoas invadiram o Salão Nobre do prédio da reitoria.
Os estudantes disseram considerar o Consuni “ilegítimo” para deliberar sobre a posição da universidade. Eles também são contra a proposta de concentração dos cursos da UFRJ na Ilha do Fundão.
A reunião desta tarde terá participação do reitor, Aloísio Teixeira, do chefe de gabinete, João Eduardo Fonseca, e de representantes da Comissão de Negociação dos alunos.
Às 18h, os estudantes farão nova assembléia no auditório do prédio ocupado para avaliar a repercussão das ocupações nacionais em outras universidades, como na UFPR e UFBA, e para decidir os rumos da ocupação na UFRJ.
A versão dos estudantes
Representantes da Conlute, apoiados pela Seção Sindical dos Docentes da UFRJ (Adufrj) e por outras instituições de ensino superior, como a Universidade Federal Fluminense (UFF), ocuparam o prédio da reitoria em protesto contra a adesão da UFRJ ao Reuni.
Segundo Gabriel Marques, diretor do movimento “Quem Vem com Tudo Não Cansa”, a assembléia que tomou a decisão foi “ilegítima” e não representa vontade de todos os estudantes.
“Reivindicamos que a reitoria reconheça que a votação foi ilegítima, pois o reitor fez uma votação sem fazer abstenções ou aceitar participação dos estudantes. Além disso, não reconhecemos o Consuni como instrumento legítimo de deliberação sobre o Reuni. Acreditamos que deva ser através de um plebiscito ou Congresso interno, que têm participação de todos os setores da UFRJ”, declarou.
Alex Lauriano, membro do Centro Acadêmico de Educação Física, afirma que a adesão foi imposta aos alunos: “O MEC está querendo repassar até 20% de verba para a universidade e não concordamos com isso. Pedimos um plebiscito para essa questão, porque nós sabemos o que é melhor para nós, conhecemos as necessidades da UFRJ. Não queremos uma imposição por decreto”.
Posição da UFRJ
O reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, negou as acusações feitas pelos estudantes e disse estar aberto ao diálogo para assegurar a desocupação do prédio da reitoria. Teixeira explicou que nesta quinta foi aprovado apenas o Programa de Reestruturação e Expansão da UFRJ, que será encaminhado ao MEC para atrair verbas e investimentos à universidade.
Teixeira garantiu que o Conselho Universitário (Consuni) é um instrumento legítimo, democrático e superior da instituição e deve ser respeitado pelos alunos. “Acusar de ‘ilegítimo’ é o pior argumento deles. A universidade tem sua institucionalidade e pressupõe a convivência com suas instituições. Eu como reitor, tenho que garantir que o conselho deliberativo e as organizações máximas da UFRJ sejam respeitadas. É uma pretensão grande de um grupo querer achar que eles dizem o que a maioria dos estudantes querem”, declarou.
Outra crítica feita pelos estudantes é a concentração dos cursos na UFRJ na Ilha do Fundão. Segundo o reitor, a questão ainda não foi decidida: “O que nos aprovamos foi a concentração de investimentos. A prioridade é o Fundão, mas isso não excluiu investimentos em outros lugares. Mas é bom deixar claro que os deslocamentos virão na pauta de adesão. As unidades que deliberarem virão, as outras não. A minha opinião é que vir para o fundão não implica em desintergração. Essa fragmentação de campus leva a desperdícios de recursos públicos”, disse.
Apoio ao Reuni
A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes do Rio (UEE) são favoráveis à proposta do programa de reestruturação da UFRJ.
De acordo com Thiago Machado, diretor da UEE, o PRE traz melhorias para a UFRJ, pois propõe o aumento do número de estudantes, de bolsas, e a contratação de 500 professores nos próximos dois anos.
“A proposta é boa para a UFRJ. Com os investimentos do Reuni, aproximadamente R$180 milhões virão para a universidade. Além disso, haverá expansão da universidade para o interior, com a criação de outros campi, como em Xerém”, disse.
Thiago afirmou que a votação da última quinta foi atrapalhada por “baderneiros”: “Um grupo não gostou do resultado e partiu para agressão. Agrediram professores e outros estudantes. O Consuni é um órgão superior da universidade, ele está acima da reitoria. É o mais legitimo e mais democrático e deve ser respeitado”.
Reuni
Segundo o governo, o programa tem como objetivo melhorar a infra-estrutura das universidades federais, ampliar o corpo docente e aumentar o número de vagas.
De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista dada à Agência Brasil em julho, “o Reuni é uma resposta àqueles que ainda fazem críticas à universidade pública no Brasil, é uma maneira de apoiar essas instituições para que se reestruturem adequadamente e possam responder aos desafios nacionais, uma vez que tem um papel importante no desenvolvimento nacional”.
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