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Ocupação da UFRJ mistura discussão política e roda de samba

19/10 - 17:12 - Renata Castro, do Último Segundo

RIO DE JANEIRO – Em meio a discussões políticas e rodas de samba, alunos ocupam o prédio da reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde a última quinta-feira. A ocupação tem como objetivo protestar contra a adesão da universidade ao Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), aprovada em assembléia pelo Conselho Universitário. A decisão sobre a manutenção da ocupação será tomada hoje, após uma reunião de representantes dos movimentos estudantis com o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, e o chefe de gabinete, João Eduardo Fonseca.

 

A ocupação começou na tarde de ontem, em clima de revolta. Segundo o Luiz Guilherme Santos, de Ciências Sociais, “a galera saiu da votação radicalizada. Decidimos pela invasão, pois o reitor teve uma decisão truculenta. Nós fizemos a ocupação porque queremos sair daqui com vitória”, disse.

Luiz Guilherme contou que, depois de ocupar o Salão Nobre do prédio, os estudantes começaram a se revezar dentro da sala e organizar grupos para buscarem colchões, roupas de cama e alimentos.

Em assembléia que durou até as 3h da manhã, os alunos decidiram a pauta de discussão que seria defendida pelos manifestantes e formaram comissões da ocupação. Foram criados grupos responsáveis por segurança, alimentação, infra-estrutura e cultura, que promove atividades para os alunos durante a ocupação.

Por volta das 3h30, depois das reuniões, os alunos fizeram uma roda de samba “para descontrair”. Para ajudar a passar o tempo, alguns tocavam violão e cantavam, outros liam livros e jornais. “Tentamos passar um DVD sobre a Revolução Russa, mas não funcionou. Nós ocupamos, mas também sabemos nos divertir”, declarou Luiz Guilherme.

Morena Marques, chefe da comissão de cultura, contou que ainda estão previstas uma oficina de forró, um recital de poesia da faculdade de Letras e uma festa, ao som de DJs da faculdade de Música da UFRJ.

A alimentação foi providenciada pela Seção Sindical dos Docentes da UFRJ (AdUFRJ), que distribuiu 150 quentinhas no almoço e no jantar.

Hoje, a pauta começou no início da tarde, com uma série de debates sobre o Reuni e as condições do ensino superior no governo Lula. “Nossa opção é sempre manter a discussão política. A revolta foi pela forma como o reitor aprovou a medida. Mas não estamos contra o reitor da UFRJ, somos contra essas formas de sucateamento do ensino superior”, declarou Ricardo Bittencourt, da Pós-Graduação da UFRJ.

Na sala, estudantes deitados em colchonetes e esteiras participavam das discussões, dormiam e conversavam sobre os rumos do movimento. Clarice Green, aluna de Ciências Sociais, contou que estava exausta, depois de dormir apenas uma hora e meia durante a noite, mas não deixaria de apoiar a ocupação.

“Estou morrendo de sono, mas decidi vir. Ninguém estava esperando ocupar, mas depois que o reitor decidiu ‘passar a perna’ na gente, precisamos tentar deslegitimar essa decisão”, falou.

A segurança também foi uma das preocupações em pauta. Arthur Souza, do curso de Letras, informou que para garantir uma ocupação pacífica, os alunos foram orientados a não levar bebidas alcoólicas ou drogas para o prédio e a sair do local apenas em grupo.

 

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