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Nos bastidores, Senado discute sucessão de Renan

19/10 - 13:33 - Eduardo Bresciani, do Último Segundo/Santafé Idéia

BRASÍLIA - Renan Calheiros (PMDB-AL) ainda é presidente do Senado, mas não parece. Com seu pedido de licença por 45 dias feito na semana passada, a sucessão passou a ser o tema de diversas reuniões e conversas reservadas de senadores de todos os partidos. O PMDB toma a frente das negociações, preocupado em perder a vaga em definitivo para o PT, do interino Tião Viana (AC).

Se as conversas existem, uma solução ainda está longe. Faltam nomes com o perfil considerado ideal pela maioria dos senadores: ser do PMDB, discreto, da base aliada do governo e com pontes fortes com a oposição. Com a falta de um candidato natural, alguns senadores têm seus nomes ventilados, mas todos encontram resistências.

Veja a situação dos principais "candidatos":

José Sarney (PMDB-AP) - Apontado como possível candidato natural do PMDB, o ex-presidente da República e do próprio Senado vive um momento de baixa. Longe dos holofotes desde o início da crise é apontado como omisso por membros da base aliada e criticado constantemente pela oposição. Afirma que só aceitará ser candidato se for unanimidade, o que dificilmente acontecerá. Além dele, são veiculados os nomes de sua filha Roseana (PMDB-MA) e de Edison Lobão (PMDB-MA), mas ambos encontram as mesmas resistências.

Tião Viana (PT-AC) - Presidente interino, tem no fato de pertencer ao PT a grande objeção à sua candidatura. Seu partido tem as presidências da República e da Câmara e não seria aceito comandando todos os poderes. Apesar disso, Viana tem sólidos apoios na base aliada e pode contar com o aval até da oposição caso se firme como a única opção à candidatura Sarney.

Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Oposicionista "recém-convertido" à base aliada, aparece como o nome alternativo mais forte. Primo do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves, o senador tem relações sólidas com a oposição, mas tem dificuldades em ser aceito dentro de seu partido por ter se posicionado publicamente contra Renan. Precisaria ainda de um aval do Planalto.

José Maranhão (PMDB-PB) - Discreto ao extremo, passou a ser apontado como o candidato de Renan Calheiros. Por isso, encontrará sérias resistências na oposição. Maranhão nega a intenção de disputar o cargo porque ainda aguarda o julgamento do processo de cassação de Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), o que pode alçá-lo ao cargo de governador de seu Estado.

Gerson Camata (PMDB-ES) - Outro nome alternativo, Camata tem problemas semelhantes ao de Garibaldi. Bastante ligado à oposição, faz parte da base aliada desde que retornou ao Senado nesse ano. Camata, no entanto, participou ativamente da rebelião dos chamados "franciscanos" do partido, o que o coloca numa lista de "não-confiáveis" pelo Planalto.

Pedro Simon (PMDB-RS) - Nome fora de discussão no início, Simon pode se tornar uma alternativa. Com uma biografia invejável serviria como uma satisfação à opinião pública. Tem como pontos contrários à candidatura sua posição clara contra Renan e votos contínuos contra o governo. Os defensores de seu nome dentro do PMDB, no entanto, argumentam que com um "carinho" do Planalto, Simon poderia se transformar no nome ideal para tirar a Casa da crise.

Hélio Costa (PMDB-MG) - O ministro das Comunicações foi outro "candidato" que cresceu muito nos últimos dias. Senador com mandato até 2010, ele poderia retornar à Casa no lugar do suplente Wellington Salgado (PMDB-MG). O grande problema de Costa é o PMDB. O partido não tem grandes simpatias pela possível volta do ministro e teme perder a pasta no Executivo caso isso ocorra. Nesse argumento pesa a interinidade de cinco meses do petista Nelson Hubner no Ministério de Minas e Energia após a saída de Silas Rondeau, indicado pelo PMDB do Senado.

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