17/10 - 16:08 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo
SÃO PAULO - Econômico e ecologicamente correto, o serviço de bike courier tem ganhado espaço em São Paulo. Ciclistas treinados e uniformizados levam e trazem documentos por toda a cidade e pedalam até 150 km por dia como uma versão silenciosa e não poluente dos tradicionais motoboys paulistanos.
Famosos em cidades européias e americanas, como Londres, Berlin e Nova York, os ciclistas entregadores começam a conquistar clientes fiéis no Brasil por representarem uma alternativa mais barata e, muitas vezes, mais rápida ao serviço feito com motos.
"Como o ciclista não precisa parar apenas em lugares apropriados, como o motoboy, e pode pegar atalhos por vielas mais estreitas, não é raro a entrega ser feita em menos tempo. Também o valor cobrado tende a ser menor, uma vez que o serviço é cobrado por distância e não por hora", explica o coordenador de marketing da empresa de entrega Bike Courier, José Leite Neto.
As empresas, em geral, pedem um prazo de duas horas para recolher e entregar documentos, convites, presentes, ou qualquer outro material a ser despachado. Porém, este tempo é apenas uma garantia. "Estabelecemos este prazo independentemente da distância, mas a encomenda pode chegar em meia hora, caso o trânsito esteja bom e a distância seja curta", diz Neto.
A agência de viagens Bagagem e Turismo é uma das empresas que optou por este serviço para entregar passagens e contratos para seus clientes. "Vimos um destes ciclistas na rua, anotamos o telefone e ligamos uma vez para experimentar. Como o serviço sai mais barato que o do motoboy e é tão rápido quanto, passamos a usar o bike courier para as encomendas mais próximas", conta a agente de viagens Ana Paula Rocha.
A surpresa dos clientes ao se depararem com os ciclistas uniformizados também costuma retornar para a empresa como um diferencial. "Muitas pessoas se surpreendem quando vêem que o entregador chegou de bicicleta e vestido como uma roupa de esportista, bem diferente da calça jeans e camiseta do motoboy e acredito que esta postura saudável também chama a atenção", opina o entregador e também ciclista competidor Osvaldo Chirotto, de 30 anos.
Além do uniforme (capacete, bermuda, camisa e mochila impermeável), os ciclistas passam por um treinamento de segurança no trânsito antes de encararem as ruas da cidade. De acordo com Neto, "todos os entregadores recebem instruções sobre como se portar no trânsito, respeitar o pedestre e dar prioridade aos carros e ônibus para evitar acidentes".
E, para Chirotto, saber se comportar em meio ao caos das ruas de São Paulo é fundamental para ter sucesso na função. “Tem motorista que sai de casa como se estivesse indo para a guerra, como se pudesse passar com o carro por cima de quem cruzasse seu caminho. Como quem está na bicicleta não tem como enfrentar quem está no carro, o importante é manter a calma e dar prioridade para os veículos e não tentar competir com eles”.
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