16/10 - 15:35 - Eduardo Bresciani, do Último Segundo/Santafé Idéia
BRASÍLIA - O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) está lendo o relatório que recomenda o arquivamento do processo contra o colega Paulo Magalhães (DEM-BA). O parlamentar baiano foi acusado pela Polícia Federal, na Operação Navalha, de receber R$ 20 mil do dono da empreiteira Gautama, Zuleido Veras, que comandava um esquema de fraudes em licitações.
A denúncia surgiu por meio de gravações telefônicas que mostram o deputado em conversas com o empreiteiro. O pagamento seria uma recompensa a um lobby que o parlamentar teria feito junto ao Tribunal de Contas da União para liberar obras bloqueadas da empresa.
Mendes tomou apenas um depoimento público, do próprio Paulo Magalhães, que é sobrinho do ex-senador Antonio Carlos Magalhães. O relator afirmou que trabalhou durante três semanas no caso e se encontrou reservadamente com ministros do TCU, com dirigentes da Polícia Federal e com a ministra Eliana Calmon, que preside o inquérito no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
Mendes julgou ser desnecessária a oitiva de Zuleido e outros funcionários da empreiteira e acredita não haver indícios para punir o colega. "Não há nada de concreto contra o deputado Paulo Magalhães que possa configurar quebra de decoro", afirmou o parlamentar do PPS. Para ele, se nos próximos dias a PF determinar o indiciamento do deputado seria necessário abrir um novo processo.
O líder do PSOL, Chico Alencar, partido que apresentou a representação acredita que a investigação não foi feita da maneira correta e faltaram depoimentos. "O processo foi sumário, falta responder uma série de questões". Ele acredita que a concentração dos holofotes no caso Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado tem tirado a atenção da sociedade do coorporativismo no Conselho de Ética na Câmara.
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