16/10 - 19:17, atualizada às 11:37 19/10 - Bárbara Skaba, do Último Segundo
RIO DE JANEIRO - Um ex-interno da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), Anderson Marcos Batista, de 25 anos, e a sua companheira, Conceição Eletério, de 44, são acusados de formação de quadrilha para extorquir um total de R$ 50 mil do padre Júlio Lancelotti, de 64 anos, em São Paulo. De acordo com o delegado seccional de Osasco, André Luís Pimentel, os dois suspeitos, que estão foragidos, coagiam o religioso através de bilhetes com chantagem envolvendo acusação de exploração sexual, enviados pelos irmãos Everton e Evandro dos Santos Guimarães.
Ainda segundo o delegado, Conceição, que possui passagem na polícia por furto e tráfico de drogas, obrigava Anderson a realizar a extorsão. “Os bilhetes eram amigáveis, mas o acusado realizava pressão psicológica”, explicou Pimentel. Anderson também obrigou o padre Lancelotti a se tornar fiador de um Pajeiro em nome de Conceição e a pagar as prestações do carro. “Se o padre não pagasse as prestações, seu nome ficaria sujo”, declarou o delegado.
De acordo com Pimentel, o religioso não agüentou a pressão e, em setembro, denunciou a chantagem, que já durava três anos, para a Polícia. Ele foi orientado a gravar conversas telefônicas que provassem a culpa dos acusados. “Como a linha não foi grampeada, não foi necessária autorização da Justiça”, esclareceu o delegado.
Em entrevista à GloboNews, o padre esclareceu porque suportou a extorsão durante tanto tempo. "Talvez eu quisesse evitar que eles fizessem mal a outros", disse.
Everson dos Santos foi preso em flagrante no dia 6 de setembro, mas seu irmão e o casal ainda estão sendo procurados pela polícia. O Pajero que era pago pelo padre Lancelotti já foi apreendido. Os investigadores aguardam o depoimento do religioso para terem mais informações sobre o caso.
O padre Júlio Lancelotti é conhecido em São Paulo por defender os direitos humanos, inclusive contra abusos na Febem. Ele conheceu Anderson exatamente ao ajudá-lo enquanto estava internado na instituição. "Começou com coisas pequenas e, depois, eles foram aumentando as exigências", declarou o padre à GloboNews.
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