15/10 - 05:49 - Redação
SÃO PAULO – Uma análise das transcrições completas das conversas de rádio entre o controle aéreo e os aviões prova Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo de Brasília (Cindacta-1) recebeu e ignorou três chamadas do jato executivo Legacy, que colidiu com o Boeing da Gol no dia 29 de setembro do ano passado causando a morte de 154 pessoas. O motivo está ligado às limitações dos equipamentos: das quatro opções de freqüência que os pilotos do jato poderiam ter usado, duas estavam indisponíveis para o controlador e uma não estava em operação. As informações são do jornal “Folha de S. Paulo”.
Ao culpar apenas um controlador brasileiro e os pilotos norte-americanos – que conduziam o Legacy – pela falha de comunicação que contribuiu para a colisão entre as aeronaves, a Força Aérea Brasileira (FAB) oculta deficiências no sistema de rádio do Cindacta-1. Resumindo, havia apenas uma freqüência possível para ser utilizada nesta comunicação e os pilotos americanos não receberam instruções para sintonizar nela. Ainda assim o Legacy tentou realizar contato através das freqüências “corretas”, mas as limitações no Cindacta-1 prejudicaram suas chances.
A região do acidente, de acordo com o mapa do espaço aéreo brasileiro, é denominada ‘setor 7’. Na carta aeronáutica, são listadas, para esta zona, as freqüências 123,30 MHz, 128 MHz, 133,05 MHz e 135,90 MHz que podem ser utilizadas. O Cindacta, no entanto, deve informar aos pilotos qual delas deve ser usada. Em setembro de 2006, porém, os controladores daquele setor só tinham à disposição a freqüência 135,90 MHz.
As revelações não eximem os controladores e os pilotos Joseph Lepore e Jan Paladino de responsabilidade, mas explicita que o funcionamento do sistema de rádio da FAB tem falhas.
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