15/10 - 18:21 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - Após ter pedido licença de 45 dias da presidência do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) começou a perder suas antigas prerrogativas. O presidente em exercício, senador Tião Viana (PT-AC), revelou esta segunda-feira que o peemedebista já está preparando sua mudança da mansão oficial reservada ao ocupante do cargo, situada em área nobre de Brasília. Viana acrescentou que demitirá "cinco ou seis" assessores de Renan para poder colocar seus próprios auxiliares.
"Ele (Renan) fica na condição de senador da República, afastado de todos os benefícios do cargo de presidente. Ele está tomando todas as providências com sua família para fazer a transferência no tempo adequado", informou Tião Viana, acrescentando que o prazo legal para Renan deixar a mansão do bairro Lago Sul é de 30 dias.
O presidente em exercício disse ter conversado pessoalmente com o peemedebista para comunicá-lo sobre as primeiras medidas a serem tomadas a partir desta segunda. E negou que Renan tenha manifestado intenção de renunciar ao cargo de forma definitiva. "Ele não tocou, em absoluto, no assunto de renúncia, e não estava abatido", comentou Tião Viana.
O petista disse ser normal sua iniciativa de pedir o cargo de assessores de Renan para poder ter auxiliares de sua máxima confiança, devido à importância do cargo de presidente. "Estou refletindo sobre cada função, valorizando cada servidor mas me permitindo o direito de dispor de assessores de minha confiança", justificou.
Clima melhor
Os líderes partidários no Senado foram unânimes ao afirmar que o clima na Casa melhorou e agora será possível retomar as votações normalmente. Alguns deles ressaltam que não há condições para Renan Calheiros voltar ao cargo, sob risco de haver mais tensão e disputas como as ocorridas até a licença do peemedebista.
"O clima está melhor para o trabalho. Temos que trabalhar com agilidade. Pelo menos deve ser essa a postura da Mesa Diretora do Senado, para se julgar o mais rapidamente possível os processos disciplinares (contra Renan) e trabalhar para as que matérias da Ordem do Dia possam ter seguimento", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), segundo vice-presidente do Senado, acrescentando que a volta do peemedebista ao cargo seria possível se sua licença tivesse ocorrido bem antes: "Acho difícil o retorno do senador Renan Calheiros à presidência do Senado. Há cinco meses a situação dele seria outra (se tivesse se afastado)".
A líder petista, senadora Ideli Salvatti (SC), disse que a licença levará a um "destensionamento" do Senado: "A tranqüilidade vai ser boa para todos nós". Mas preferiu não comentar sobre a possibilidade de retorno do presidente licenciado, e a conseqüente sucessão, por ver risco de azedar o clima com o PMDB e outros partidos. "Com qualquer discussão sobre isso (disputa à sucessão da presidência) nesse momento a gente não põe a Casa para andar", explicou.
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