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Oposição e governistas estranham declaração de Lula

15/10 - 18:06 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias

BRASÍLIA - A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de apoio a uma eventual candidatura à Presidência da República do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, desde que pelo PMDB, provocou rejeição tanto entre governistas como entre oposicionistas. Na mesma entrevista, Lula ainda rejeitou à reeleição e o apoiou o mandato superior a quatro anos.

 

O líder do Democratas no Senado, José Agripino (RN), foi cauteloso: “Não quero concordar com o Lula e não vou fazer comentário sobre o que o presidente falou. Tenho hoje uma posição clara: sou contra a reeleição e o tamanho do mandato é coisa para ser debatida”.

O senador Renato Casagrande (ES), líder do PSB no Senado não viu “novidade” no que disse Lula à "Folha de S. Paulo". “Ele já faz essa declaração há muito tempo. Ele sempre se manifestou contra a reeleição. Concordo com o mandato de cinco anos, mas acho difícil (aprovar no Congresso). Tem coisa mais importante na reforma política, como o financiamento público de campanha. Agora, esse namoro do Lula com o Aécio não é novo. É um caso explícito. Acho que as declarações são para criar uma nuvem de desconfiança na oposição”, disse Casagrande.

O presidente do PMDB, Michel Temer (SP) e os líderes do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) e no Senado, Valdir Raupp (RO), já convidaram Aécio Neves para ingressar no PMDB, afirmou Raupp, que não vê nenhum problema em ter o governador de Minas como candidato do partido. Raupp se mostrou contrário, no entanto, a ampliação do mandato presidencial em troca pelo fim da reeleição. “Se for para acabar com a reeleição, é uma questão muito delicada, precisaria de discussão mais aprofundada, pois contraria a decisão do eleitor que deu um mandato de quatro anos. Não é muito fácil fazer (essa mudança)”, afirmou o líder do PMDB n Senado.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), mostrou-se incomodado com o assunto. “Gostaria de lembar que 2010 está longe. Não vejo sentido, como presidente do PT, fazer comentários sobre isso se ainda nem entramos na disputa eleitoral de 2008. Quanto a reeleição, o PT sempre foi contra. Além de tudo, não é prioritária, principalmente porque a reforma política tem itens mais importantes e urgentes, como financiamento público de campanha e votação em lista”, avaliou Berzoini.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), por sua vez, defendeu a reeleição como “algo inovador que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso promoveu para que o povo pudesse reconduzir os bons administradores”. Ressaltou, ainda, que não são mudanças de curto prazo. “Acho que deve deixar para mais para frente. Não se muda um artigo da Constituição como quem muda uma camisa”. Para Pannunzzio, o comentário reflete “a vontade de Lula em ampliar casuísmos – não sei se ele acha que pode fazer facilmente seu sucessor. Acho que ele se encanta com a possibilidade de ele mesmo ser seu próprio sucessor”.

A referência a Aécio Neves, segundo Pannunzzio, “tem o objetivo de desestabilizar coesão do PSDB, uma tentativa de dividir, de criar um clima de  desconfiança. . PT não tem candidato natural forte. É uma cantilena para ver se gera um efeito obre o Aécio e o PSDB. O Aécio já disse reiteradas vezes que o que tiver que acontecer com ele acontecerá no PSDB”.





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