Alvo de uma auditoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde a semana passada, a BRA vive uma intensa disputa interna. Nos últimos meses, acionistas têm pressionado o presidente e cotista majoritário da companhia, Humberto Folegatti, a deixar o cargo.
Ele até admite sair para uma "completa reestruturação" da empresa, mas, nos bastidores, diz não acreditar que essa seja a melhor solução.
Três fontes do setor aéreo ouvidas pelo Estado afirmam que a BRA atravessa uma crise financeira, com dificuldades até para honrar compromissos com fornecedores. Folegatti nega e diz que prepara uma oferta pública de ações na Bolsa de Valores de São Paulo, com lançamento em 2009. Argumenta ainda que a empresa está no mercado como investidora, referindo-se à encomenda de 20 jatos modelo Embraer 190, mais opção de compra de outras 55 aeronaves, num pedido que pode chegar a US$ 2,7 bilhões.
"A BRA não está em crise financeira. Como as demais empresas, tivemos prejuízo em 2007. Nada que ponha a BRA no chão porque senão hoje não estaríamos voando", diz Folegatti. Segundo ele, há dois meses a companhia registra resultados positivos, mas não os divulgou.
"Os R$ 180 milhões investidos na BRA (com a venda de 20% do capital) foram usados para pagar dívidas. Não sobrou dinheiro para investimento", afirma um executivo do setor.