11/10 - 19:03, atualizada às 01:29 12/10 - Redação
SÃO PAULO - O senador Renan Calheiros anunciou, nesta quinta-feira, o afastamento da presidência da Casa por 45 dias. Em um rápido pronunciamento, gravado no fim da tarde e transmitido pela TV Senado, Renan afirmou que a sua decisão é unilateral e tem como objetivo preservar a harmonia do Senado. Com o afastamento de Renan, que confirmou viagem para Alagoas, o senador Tião Viana (PT-AC) assumirá a presidência do Senado.
Durante o pronunciamento, Renan disse ainda que, com seu gesto, contribuía para evitar a repetição dos constrangimentos da sessão de terça-feira, quando senadores aumentaram o tom das pressões pela sua saída. "O poder é transitório, enquanto a honra é um bem permanente, que não sacrifico em nome de nada", afirmou Renan (leia a íntegra do pronunciamento).
A decisão, que dá um desfecho para a crise que se arrastava há cinco meses, já havia sido tomada em uma reunião, na madrugada desta quinta-feira, em que estavam presentes o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), além de assessores.
A licença da Presidência tenta amenizar o clima na Casa e facilitar a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional que prorroga a CPMF.
Para Renan, que mantém o mandato, o objetivo é sair do foco das denúncias e aumentar suas chances no Conselho de Ética e no Plenário do Senado.
"Minha trincheira de luta sempre foi a inflexível certeza da inocência, a qual estou convicto prevalecerá com a verdade, como aconteceu na minha absolvição", disse Renan em pronunciamento.
O peemedebista responde a três processos no Conselho de Ética porque teria feito lobby para a cervejaria Schincariol, utilizado laranjas para comprar veículos de comunicação e participado de um esquema de desvio de recursos em ministérios do PMDB.
Existe ainda uma nova denúncia de que ele teria montado uma rede de arapongagem contra colegas, que ainda se encontra na Mesa Diretora. O peemedebista foi absolvido da primeira acusação, de que teria contas pessoais pagas por um lobista.
A estratégia de Renan, porém, não deve surtir efeito no Conselho de Ética. Senadores de oposição dizem que os processos contra o senador por quebra de decoro vão continuar. "A licença não refresca em nada a situação do senador Renan Calheiros. O que melhora é a imagem do Congresso, não dele", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
(*com reportagem de Eduardo Bresciani, da Santafé Idéias e informações da Agência Senado e Agência Estado)
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