BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a falar em aumento de impostos, se a CPMF não for prorrogada até 2011, antes de caducar em 31 de dezembro próximo. Mas, hoje, negou que seja "uma ameaça", justificando que está em busca de "um entendimento" com a oposição para o governo não ter que fazer "muita ginástica" atrás de receitas que compensem a derrota da CPMF no Senado.
Ao lado do senador Marco Maciel (DEM-PE), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Mantega disse confiar na sensibilidade do Senado, inclusive da oposição, para que a CPMF seja aprovada em tempo hábil.
O ministro afirmou que não gostaria de trocar a CPMF por aumento no IOF ou no Imposto de Exportação. No momento, este último tem a alíquota zerada. Mas se houver uma frustração de arrecadação de R$ 15 bilhões ou R$ 20 bilhões, talvez a gente tenha de aumentar alíquotas de outros impostos que não dependem de aprovação do Legislativo, continuou ele.
Mantega foi ao gabinete de Maciel junto com o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia e com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O ministro disse que foi dialogar sobre a necessidade de manutenção do chamado imposto do cheque para garantia do equilíbrio fiscal, inclusive, de futuros governos, não só o do presidente Lula.
Eu acredito em acordo, disse o ministro da Fazenda, para que os senadores aprovem a proposta ainda neste ano. Ele acrescentou que propôs caminhar junto com a oposição no sentido de buscar novas desonerações tributárias. A filosofia do nosso governo é fazer desonerações, porque também consideramos que a carga tributária é elevada, afirmou.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)