09/10 - 17:29 - Eduardo Bresciani, do Último Segundo/Santafé Idéia
BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou à tribuna da Casa para se defender das acusações contra ele. Renan afirmou ser vítima da situação e culpou a imprensa pela crise. O peemedebista negou ter montado qualquer esquema de espionagem contra os colegas.
"Bisbilhotar a vida alheia não é uma prática que eu aprove, muito menos incentive, autorize ou comprove".
Ele comunicou aos colegas o afastamento do ex-senador Francisco Escórcio de seu gabinete. O funcionário teria ido a Goiás espionar Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).
Renan lembrou ter sido absolvido pelos próprios colegas e reclamou que as denúncias não cessaram. Afirmou que não vê motivos para se afastar da Presidência. "Não desonrei este mandato, como não desonrei esta presidência. Não quebrei decoro algum".
Saída do plenário
Renan Calheiros, não ficou impressionado com os discursos de senadores de seis partidos diferentes, que pediram sua saída da presidência do Senado. “Levo isso com tranqüilidade. Faz parte do jogo”, disse. O senador nega qualquer possibilidade de partir para o confronto com quem deseja sua saída do cargo. “Minha característica é da harmonia. Não sou do confronto”.
Em pronunciamento, na tarde desta terça-feira, Renan lembrou ter sido absolvido pelos próprios colegas e afirmou que não vê motivos para se afastar da Presidência. "Não desonrei este mandato, como não desonrei esta presidência. Não quebrei decoro algum", afirmou.
Veja a íntegra do discurso:
"Ocupo mais uma vez a esta tribuna – espaço que é nosso, igualitário e democrático – para repudiar mais uma indignidade que o mau jornalismo me atribui de forma tão infame, tão abjeta. Jornalismo esse que já é visto pelas cabeças preocupadas com o futuro da democracia no País como uma ofensiva de ação partidária com já foi bem conceituado no passado. No Brasil esta conceituação parece corporificada e nosso jornalismo já não informa de maneira isenta e imparcial. Ele persegue objetivos políticos.
Chegamos a um ponto em que o experiente jornalista Paulo Henrique Amorim batizou em seu site na internet de "Partido da Imprensa"
associado a um adjetivo nada abonador que eu prefiro não reproduzir aqui.
Todas as mentiras desta cooperativa da calúnia contra mim, até aqui foram derrubadas pela força da verdade, todas falsas imputações foram desmentidas com documentos que eu apresentei, todas as acusações torpes foram desmascaradas. A todo instante que uma delas era lançada nesta campanha para derrubar o Presidente do Congresso – isso não é nada mais que uma campanha para derrubar o Presidente do Congresso – sempre encontrou uma voz para ecoá-la.
Gostaria de recordar, sem cansá-los, as mais gritantes denúncias deste linchamento desumano. Fui falsamente acusado de ter socorrido-me de terceiros para pagar contas pessoais. Ruiu a falsa acusação que não tinha uma prova. Nada. A mesma mídia sustentou que utilizei notas frias para justificar receita. Isso foi repetido milhões de vezes.
Mentira que foi desmoralizada quando a Polícia Federal atestou a autenticidades de meus documentos. Imputaram-me a venda de gado acima do mercado. Outra farsa que o laudo da Perícia Federal desmontou.
Apontaram- me como sonegador por ter omitido um bem e ter utilizado laranjas. O imposto de renda que eu distribui aniquilou esta fraude.
Disseram – o mesmo jornalista que hoje volta a me atacar – que eu tinha ligações com bicheiros. Não mostrou uma prova da bizarra associação. Acusaram-me de corrigir o imposto de renda depois das denúncias. Impostura desmentida pela Receita Federal. Estas são as denúncias que mais vezes foram repetidas.
Já fui julgado pelo Senado Federal quanto a mais rumorosa das acusações. Apesar da campanha inusitada e sem precedentes na história fui absolvido pela maioria absoluta desta Casa. Melhor do que a absolvição é merecê-la.
O processo resultou em uma devassa de minha vida e da minha família.
Sei o que isso representa e, por isso, não o desejo a não faria o mesmo a ninguém.
Sempre me defendi à luz do dia, às claras, sem movimentos sorrateiros, conversando com as pessoas, respondendo diariamente a todo tipo de perguntas aqui mesmo. Transferi ao presidente Tião Vianna a condução das representações, fiz a prova negativa – a mais difícil em qualquer processo -, abri voluntariamente meus sigilos fiscal, bancário e contábil, expus minha vida privada com a dor que isso me custou, pedi ao Ministério Público que me investigasse, prestei esclarecimentos ao Conselho de Ética, continuarei a prestá-los e cheguei até mesmo a abdicar de prazos para defesa. Fiz isso com a convicção de que a retórica pode persuadir, mas só a verdade repara. A verdade é mais forte do que os exageros das paixões políticas.
Em todos os momentos que as velhas denúncias vão ficando frágeis, vão caducando por inverídicas e ficando débeis por inconsistentes, busca-se uma nova trama para envenenar o ambiente e indispor-me com os senhores senadores e senadoras e alimentar artificialmente a crise. A tática é conhecida e até já foi utilizada recentemente. Ontem divulguei uma nota pública para deplorar uma denúncia manufaturada de que teria entrado ao pantanoso submundo da arapongagens a fim de espionar colegas.
É mentira. Repito. É mentira. Não pedi, não ordenei, não autorizei, não deleguei, não encomendei nenhuma atrocidade como esta. Eis a resposta de parte da mídia. Minimiza o desmentido e amplia a calúnia de maneira torpe, irresponsável, sem provas e sem autores, fato este – denuncismo sem provas e agora até sem autor – que já esta se tornando rotina quando o objetivo é político.
Os senhores me conhecem e sabem que minha personalidade e a minha prática é da convivência, da harmonia e do diálogo.
Posso até ser vítima de práticas inescrupulosas como estas, aliás como fui, quando alertei ao Brasil sobre gravações clandestinas contra mim.
Ninguém deu bola, fui desmentido na ocasião e quem negou a existência dos grampos acabou entregando as gravações clandestinas ao Conselho de Ética.
Apesar disso, os senhores tenham certeza de que jamais fui ou serei autor de iniciativas tão repugnantes, tão sombrias e tão sórdidas.
Neste caso eu também sou vítima."
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