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Justiça suspende julgamento de acusado da chacina na Baixada Fluminense

08/10 - 11:41 - Renata Castro, do Último Segundo

RIO DE JANEIRO – O julgamento de um dos acusados da chacina na Baixada Fluminense, marcado para a manhã desta segunda-feira, foi adiado. A 8ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça expediu uma liminar na última sexta-feira, suspendendo o julgamento do policial militar Fabiano Gonçalves Lopes. A juíza Elizabeth Machado Louro, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu chegou a abrir a sessão às 9h, apenas para comunicar o adiamento às pessoas que compareceram ao tribunal.

Nesta segunda, além do soldado Lopes, seria julgado o cabo José Augusto Moreira Felipe, que também é acusado de pertencer ao grupo de policiais militares responsáveis pelo crime. No entanto, a defesa havia conseguido adiar o julgamento.

A previsão é de que os dois PMs estejam juntos no banco dos réus no dia 10 de dezembro.

Dois anos da tragédia

No dia 31 de março de 2005, as ruas de Nova Iguaçu e Queimados, na Baixada Fluminense, tiveram uma noite de horror. Policiais militares assassinaram 29 pessoas, incluindo mulheres e crianças, e deixaram uma ferida na maior chacina já ocorrida no Estado do Rio de Janeiro. As vítimas não tinham ligação com o crime – foram mortas enquanto conversavam na porta de casa ou andavam pelas ruas da Baixada.

O Ministério Público denunciou 11 PMs pelos crimes de homicídio qualificado e o grupo acabou preso. Em fevereiro de 2006, a juíza Elizabeth Machado Louro, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, admitiu parcialmente a denúncia e pronunciou cinco deles para irem a júri popular. Os demais foram postos em liberdade, a pedido do Ministério Público, pois não foram encontrados indícios suficientes para levá-los a julgamento.

Crime e castigo

Cinco policiais acusados de envolvimento na chacina foram expulsos da Polícia Militar em 2006. Marcos Siqueira, Carlos Jorge de Carvalho, Fabiano Gonçalves Lopes, Júlio César do Amaral e José Augusto Felipe foram banidos da corporação.

O primeiro julgado foi o soldado da PM Carlos Jorge de Carvalho. Em agosto do ano passado, ele foi condenado a 543 anos de prisão. Também respondem pelos mesmos crimes o cabo Marcos Siqueira Costa e o soldado Júlio César Amaral de Paula, que não têm data definida para serem levados a júri popular. Eles entraram com recursos que ainda não foram julgados.
 
Outros dois PMs foram acusados pelo MP de formação de quadrilha. O cabo Gilmar Simão, que aguardava o julgamento em liberdade e negociava o benefício de delação premiada, foi assassinado em outubro de 2006, suspeito de envolvimento na máfia dos caça-níqueis. Já o cabo Ivonei de Souza entrou com recurso contra a decisão e espera julgamento.

 

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