02/10 - 05:43 - Redação
SÃO PAULO – O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, encaminhou o IPM (Inquérito Policial Militar) do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, ocorrido em 29 de setembro de 2006, à Justiça Militar apontando 11 "fatores preponderantes" desencadeados pelos controladores de vôo ou pelos pilotos norte-americanos do Legacy. O texto ainda indicia cinco controladores por "materialidade e indícios de autoria de crime" no acidente. As informações são do jornal “Folha de S. Paulo”.
O relatório final das investigações entre o choque das aeronaves ainda não está concluído, mas o inquérito indiciando os controladores pode influenciar o processo na Justiça comum que determinará a discussão sobre indenizações.
Os controladores Felipe dos Santos Reis, Jomarcelo Fernandes dos Santos, Lucivando Tibúrcio de Alencar, Leandro José dos Santos Barros, do Cindacta-1 (o controle aéreo de Brasília) e o suboficial João Batista da Silva, de São José dos Campos (SP), de onde decolou o Legacy estão sujeitos a a prisão, suspensão e expulsão da carreira.
Sucessão de erros
O inquérito indica que houve "conduta omissiva" dos pilotos do jato, que deveriam, apesar dos erros dos operadores, corrigir altitude e freqüência, além de notificar a inoperância do transponder (equipamento que informa a posição do avião ao controle e a outros aviões, acionando sistemas anticolisão), por estarem sob a norma de “vigilância radar”.
Entre os controladores, o sargento Felipe dos Santos Reis, de Brasília, errou por não conhecer o plano de vôo, que previa três altitudes até Manaus, e passou a orientação para a torre de São José sem dados importantes sobre rota e nível, dando só a primeira altitude (37 mil pés).
O suboficial João Batista, de São José, por sua vez, conhecia o plano, mas não questionou a orientação de Brasília e a repassou para os pilotos do Legacy citando apenas 37 mil pés e o aeroporto de Manaus. A informação incompleta deu a falsa impressão aos pilotos de que estariam autorizados a voar em 37 mil pés até Manaus. Errarram ao não questioná-la, já que divergia do plano de vôo, e, errou também, o sargento Jomarcelo, que não ordenou a alteração de altitude quando o aeronave passou por Brasília.
Além disso, Jomarcelo teria informado equivocadamente seu substituto de turno, Lucivando, que o Legacy estava em 36 mil pés, como no plano de vôo, quando estava, de fato, em 37 mil.
Juiz nos EUA define processo de indenizações do acidente
A audiência decisiva a respeito da indenização às famílias de vítimas do acidente da Gol é realizada nesta terça-feira, em Nova York. A Justiça norte-americana deve definir hoje os rumos do processo que corre em Nova York.
Serão definidos detalhes como a condução do processo de indenização, quem irá a julgamento, quais as provas necessárias para que isso ocorra e os documentos que deverão ser apresentados.
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