25/09 - 12:39 - Redação com agências
O acidente com o Airbus A320 da TAM em Congonhas - que deixou 199 mortos, em 17 de julho deste ano -, aumentou a desconfiança dos passageiros com o transporte. No último balanço divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 17 de setembro, o movimento nos vôos domésticos do País caiu 3,7% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Enquanto isso, o número de passageiros de ônibus cresceu 20% nas rotas de até 600 quilômetros e cerca de 15%, nas viagens mais longas, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Só no feriado de 7 de setembro, por exemplo, 480 mil pessoas passaram pelos Terminais Rodoviários do Tietê, Barra Funda e Jabaquara, em São Paulo - um resultado 10% maior do que o registrado no mesmo feriado do ano passado. A empresa de ônibus 1001, uma das que mais faz percursos curtos, registrou acréscimo de passageiros de 49%.
De acordo com a Anac, a ocupação média dos aviões também recuou: de 73% em agosto de 2006 para 59% no mês passado. Em julho, a taxa de ocupação havia sido de 72%. “Apesar de morrer muito mais gente nas rodovias, esses números mostram o medo do brasileiro de ficar preso nos aeroportos, sem conseguir viajar”, diz o especialista em transportes Nazareno Stanislau Affonso.
“Mas ainda é cedo para falar em tendência. Vamos ter de esperar até as férias de fim de ano para saber se as empresas aéreas vão conseguir readquirir a confiança dos viajantes. Quem está trocando o aéreo pelo terrestre neste momento é principalmente o empresário, que não pode tolerar atrasos.”
Os lucros das companhias aéreas também não exibem o mesmo fôlego. Nos últimos balanços trimestrais, TAM e Gol, que concentravam juntas 90,26% do mercado doméstico, em julho, apresentaram resultados mais modestos que em 2006.
A Gol registrou, no segundo trimestre de 2007, prejuízo líquido de R$ 35,4 milhões – no mesmo período de 2006, a empresa havia lucrado R$ 106,7 milhões. A explicação da empresa para o mau desempenho foi a compra da Varig, empresa vinda de fortes prejuízos, no início do ano, além da crise aérea, que fez cair a taxa de ocupação das aeronaves. “A Varig tinha resultados piores que a Gol, então a tendência era, a princípio, piorar o resultado consolidado da Gol”, diz Kelly Trentim, analista da corretora SLW.
O prejuízo líquido da TAM no segundo trimestre deste ano foi um pouco menor: R$ 28,6 milhões, ante lucro de R$ 129,5 milhões no mesmo período no ano passado. Apesar disso, a receita aumento 13%, para R$ 2,054 bilhões.
Além da diminuição da taxa de ocupação das aeronaves, o caos aéreo implica em despesas extras para as companhias de aviação. “Os indicadores operacionais das companhias começaram a piorar. Com mais atrasos, os aviões passaram a ficar mais tempo no ar, gastando mais combustível, voando mais quilômetros para a mesma distância”, exemplifica Kelly. Além disso, em caso de atrasos longos, as empresas são obrigadas a arcar com despesas de alimentação e hospedagem dos passageiros prejudicados.
Um exemplo disso foi o aumento dos custos da TAM com prestação de serviços e despesas no segundo trimestre: R$ 1,936 bilhão, um aumento de 28,5% sobre o segundo trimestre, inflados pela elevação das despesas com pessoal (52,6%), combustíveis (26,2%) e arrendamentos de aeronaves e equipamentos (9,2%), entre outros fatores.
Os transtornos, que vieram à tona com o caos aéreo, com passageiros enfrentando atrasos e controladores de vôo sobrecarregados, evidencia a falta de infra-estrutura do setor. “O caos é uma coisa muito séria, é um apagão de logística do setor, que é fruto de não se ter planejado o crescimento dessa área”, diz Amaryllis Romano, especialista em aviação da Tendências Consultoria. “Não dá pra dizer que foi a causa, mas o acidente coincidiu com o início da deflagração dos problemas de infra-estrutura de transporte aéreo do País”, afirma Kelly Trentim.
Procuradas pelo Último Segundo, as empresas TAM, Gol e BRA não se pronunciaram sobre o assunto.
(*com informações da Agência Estado)
Leia mais sobre: Crise aérea
Publicidade
Mantega volta a falar de aumento de impostos para compensar CPMF, mas nega ameaça