25/09 - 13:02 - Rodrigo Ledo e Eduardo Bresciani/Santafé Idéias
Considerado o marco inicial da crise aérea, a tragédia com o Boeing da Gol, na floresta amazônica, vitimou 154 pessoas no, até então, maior acidente da aviação brasileira. O vôo 1907 da Gol saiu do radar às 16h48 do dia 29 de setembro de 2006 após ter se chocado com um jato Legacy da empresa americana ExcelAir, que conseguiu pousar. O Boeing caiu em Mato Grosso, próximo à cidade de Peixoto de Azevedo.
Um ano depois da tragédia, apenas 26 famílias chegaram a um acordo com a Gol para receber as indenizações. A maior parte dos parentes decidiu entrar com ações na justiça americana, onde a tramitação é mais rápida do que no Brasil e os valores pagos mais altos. A estimativa é de que a indenização chegue a R$ 1 milhão por passageiro.
Processo na Justiça
As investigações da Polícia Federal levaram ao indiciamento dos pilotos americanos, Joe Lepore e Jan Paladino, por homicídio culposo (sem intenção de matar), e ao pedido de investigações contra quatro sargentos controladores de vôo: João Batista da Silva, que trabalha na torre de São José dos Campos; Leandro José Santos de Barros, Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivando Tibúrcio de Alencar, todos estes do Centro Integrado de Defesa e Controle Aéreo de Brasília (Cindacta 1).
O processo está na Justiça Federal do Mato Grosso e, um ano depois, ainda são recolhidos depoimentos de testemunhas e suspeitos. No primeiro depoimento, marcado para 27 de agosto, os pilotos americanos, no entanto, não compareceram. O juiz Murilo Mendes decidiu que eles serão julgados à revelia. Joe Lepore e Jan Paladino estão nos Estados Unidos.
Nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo houve divisão. No Senado, o relator Demóstenes Torres (DEM-GO) seguiu a Polícia Federal, enquanto que na Câmara, o relator Marco Maia (PT-RS) atribuiu a culpa maior aos pilotos americanos, apesar de também mencionar os controladores.
O acidente
O vôo 1907 da Gol saiu de Manaus rumo a Brasília e tinha um plano de vôo para fazer todo o trecho a 37 mil pés. O jato Legacy vinha de São José dos Campos e tinha como destino final a cidade de Manaus. O plano de vôo do jato da Embraer previa que até Brasília a aeronave viria na altitude de 37 mil pés. Na capital federal, os pilotos deveriam descer para 36 mil pés e, após o ponto Teres (marco virtual que auxilia a navegação aérea) deveria subir para 38 mil pés. No ponto em que ocorreu a colisão o jato deveria estar mil pés acima do Boeing da Gol.
Segundo os dados da caixa-preta do Legacy, o transponder (equipamento que transmite para a torre a posição exata da aeronave) estava desligado. As investigações não concluíram se o aparelho apresentava algum problema ou se foi desligado pelos pilotos. Ficou provado também que não houve cumprimento do plano de vôo inicial e a aeronave permaneceu todo o tempo a 37 mil pés.
Resgate dos corpos
O local em que caiu o avião, na Floresta Amazônica, dificultou o trabalho de resgate dos corpos das 154 vítimas do acidente. A Aeronáutica teve de montar uma base na fazenda Jarinã, próxima ao local da queda do avião, e, apenas 17 dias depois, conseguiu concluir a operação de resgate dos corpos.
A identificação das vítimas foi feita nos Institutos Médio Legal (IML) de Cuiabá e Brasília. O último corpo identificado foi o do advogado Marcelo Paixão, em 22 de novembro, após teste de DNA.
Extravio de bagagens
No mês de agosto deste ano, parentes das vítimas do vôo 1907 vieram a público denunciar o sumiço de pertences. Segundo a associação de familiares, jóias, celulares, cartões de crédito e documentos não foram devolvidos.
Os familiares acusaram a Aeronáutica e afirmaram que das seis toneladas de bagagem que estavam no vôo, apenas 1,5 toneladas foram entregues aos parentes.O chefe do Cenipa, brigadeiro Jorge Kersul Filho, defendeu sua equipe. Em um de seus depoimentos à CPI do Senado, ele autorizou a exibição de um vídeo mostrando a dificuldade do resgate dos corpos e chegou a se emocionar. Kersul ressaltou que o papel da Aeronáutica era resgatar corpos e, não, pertences e garantiu que os militares não estariam envolvidos no extravio.
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