25/09 - 13:09 - Rodrigo Ledo e Eduardo Bresciani/Santafé Idéias
Quando a crise aérea dava sinais de arrefecimento, mesmo sem o governo ter feito mudanças estruturais no sistema, uma nova tragédia veio mostrar que o problema estava longe de uma solução. O acidente com o vôo 3054 da TAM, no Aeroporto de Congonhas, localizado na zona sul de São Paulo, vitimou 199 pessoas, na pior tragédia aérea já registrada no País.
O vôo 3054 vinha de Porto Alegre com destino ao aeroporto mais movimentado do País. Os pilotos aterrissaram, mas não conseguiram frear a aeronave, que atravessou a pista de Congonhas e bateu contra o terminal de cargas da TAM localizado do outro lado da Avenida Washington Luís.
As investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda estão em fase inicial, mas algumas hipóteses foram trazidas por especialistas. Entre elas, a pista de Congonhas, considerada perigosa e curta demais para operação com pista molhada, o fato de aeronave estar voando com um dos reversos travados e a possibilidade de uma pane mecânica.
No entanto, a principal questão que terá de ser respondida diz respeito à posição incorreta das manetes no momento da aterrissagem da aeronave. O manual da Airbus determina que as duas manetes sejam colocadas em reverso no momento do pouso. A TAM, no entanto, recomendava que a do reverso inoperante fosse colocado em ponto morto.
No acidente, uma das manetes estava em posição de aceleração, o que acabou impedindo a abertura dos spoilers e contribuindo para a ocorrência da tragédia. Ainda não se sabe se o erro foi dos pilotos ou se o software da Airbus falhou e não fez a leitura correta das posições. A CPI do Apagão Aéreo da Câmara trabalha com a segunda hipótese.
Resgate dos corpos
A busca de corpos nos escombros do terminal de cargas da TAM contou com a ajuda da empresa Global BMS, que trabalhou também no resgate das vítimas dos atentados terroristas ao World Trade Center em 2001, em Nova York. Por causa das explosões após o acidente, que carbonizaram as vítimas, houve grande dificuldade para resgatar e reconhecer os corpos. O prédio foi implodido no dia cinco de agosto e, no local, será construída uma praça em homenagem a vítimas.
O trabalho de identificação dos corpos foi realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. O primeiro corpo liberado foi o do empresário Oswaldo Luiz de Souza, que estava no prédio da companhia aérea. Na semana passada, o IML encerrou seu trabalho e quatro famílias não poderão enterrar seus mortos porque os corpos não foram identificados.
Assistência às famílias
A TAM assinou, na semana passada, um termo de compromisso para assistência às famílias das 199 vítimas da tragédia. No documento, a empresa se compromete a prestar informações, garantir transporte, alimentação e acomodação para acompanhamento das identificações e fornecer assistência médica, psicológica e psiquiátrica para os familiares.
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