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“Trauma” da votação da cassação de Renan pode levar a fim do voto secreto

13/09 - 12:43 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias

Apesar dos ânimos acirrados no Senado após a absolvição do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), os líderes partidários governistas e de oposição concordam que é preciso reformar a legislação para acabar com as sessões secretas, além do voto secreto em caso de julgamento de cassação de mandatos. As declarações demonstram o trauma com a pancadaria e desentendimentos ocorridos na votação desta quarta-feira, na qual Renan se livrou da cassação. Parlamentares cogitam iniciar ainda esta quinta-feira os entendimentos para aprovar as mudanças.

 

O primeiro-vice-presidente do Senado, senador Tião Viana (PT-AC), declarou que um sinal do esgotamento da sessão secreta e do voto secreto para fins de cassação foi a “interferência” do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida ontem, nos assuntos do Senado – o STF concedeu liminar para permitir a presença de deputados na sessão ocorrida para decidir o destino de Renan Calheiros.

O argumento de Tião Viana, que se diz contrário a sessões e votações secretas, é o de que atitude do STF pode se repetir e, dessa forma, não teria sentido manter no regimento do Senado a previsão de sessões fechadas. “Acho que daqui para frente o STF não vai permitir sessões secretas, temos que fazer uma reunião de líderes para podermos de uma vez por todas acabar com a conveniência do voto e sessão secretos, que não fazem bem à democracia”, disse Viana, acrescentando que a reunião para um acordo “pode ser hoje à tarde. Vai depender dos líderes”.

Para o senador Renato Casagrande (PSB-ES), líder do PSB e relator do caso Renan que pediu a cassação do alagoano, as articulações para o fim do voto e sessões secretos serão o único resultado positivo que poderá surgir da tumultuada sessão de absolvição do presidente. “É tentarmos agilizar a alteração do regimento para acabar com a votação secreta. Estamos (o PSB) dispostos a fazer a reunião para fazer essa votação rapidamente”, observou.

Até os oposicionistas concordam com tal entendimento. Ainda na quarta-feira, logo após a absolvição de Renan, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, declarou que a única decisão do partido naquele momento era o de apoiar a modificação no Senado para acabar com o voto secreto.

Outro opositor de Renan Calheiros, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), disse que não há risco de os defensores do presidente votarem contra a mudança mesmo com o risco de haver novas votações sobre cassação do alagoano, em virtude dos três processos disciplinares que ainda tramitam no Conselho de Ética do Senado.

“Acredito que o povo está esperando isso, e acho possível porque os aliados do presidente Renan acham que esses processos nem chegarão ao Plenário e vão acabar (arquivados) no Conselho de Ética”, avaliou o pedetista.

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