13/09 - 14:29, atualizada às 17:24 13/09 - Redação com Reuters
SÃO PAULO - O senador Renan Calheiros declarou, nesta quinta-feira, que votou "pela abstenção" no julgamento de cassação de seu mandato nesta quarta-feira, em Brasília.
Renan Calheiros afirmou para o Blog dos Blogs, que não cogita deixar a presidência do Senado e considerou sua absolvição no processo de cassação como uma espécie de recondução ao cargo. O senador desmentiu mais uma vez que vá se afastar, nem mesmo para uma viagem de descanso mais longa: "Não estou cansado".
Para Renan, que falou em entrevista para a Rádio Gaúcha, o que estava em jogo no processo que sofreu era a presidência do Senado. "Desde o início do processo, ficou claro que o que importava era substituir o presidente do Senado. Por isso, não me afastei. Não podia ser agente da impostura"
Questionado sobre sua capacidade de pacificar o Senado e levar adiante a agenda política do País, que aguarda votações importantes como a prorrogação da CPMF, Renan se proclamou em condições de fazê-lo.
"Se eu não tiver condições de presidir o Senado num quadro de divisão, quem teria', indagou, acrescentando que irá a partidos e líderes para 'consertar' a situação. 'Vou usar minha habilidade e meu prestígio na casa".
Renan disse esperar na votação da CPMF dificuldades naturais de uma votação mais complexa, que exige quórum superior.
'Existirão as dificuldades de se votar uma emenda constitucional, com um quórum qualificado. A CPMF vai chegar ao Senado no final de outubro, início de novembro. Há entendimento que a CPMF não é a favor do governo, é a favor do Brasil', disse Renan.
Sobre a intenção de senadores de mudar o regimento da Casa para a instituição do voto aberto em casos de cassação de mandato, Renan disse não ser contra, mas defendeu a permanência do voto secreto em certas circunstâncias.
'Em situações em que pode haver grande pressão externa, econômica, da imprensa, temos que proteger os senadores', justificou.
O senador reiterou que não pensa em se afastar do cargo, como defende a oposição e também sugeriu o petista Aloizio Mercadante (SP), após revelar que foi um dos que se absteve de votar no processo contra Renan.
'Ainda não pensei nessa hipótese, não penso, e o senador Mercadante não falou comigo sobre esse assunto.'
(Com reportagem de Rodrigo Ledo)
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