11/09 - 13:10 - Cosmo Online
A Câmara Municipal aprovou, em primeira discussão, o projeto de lei que determina a castração de todos os cães pit bull em Campinas, em um prazo máximo de 90 dias após a promulgação. O autor da matéria, o peemedebista Sebastião dos Santos, justifica o fim da procriação como uma alternativa para controlar a raça, diante dos cada vez mais freqüentes ataques, do aumento do abandono pelos donos e do confinamento inadequado dos cachorros recolhidos ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
"Temos que encarar o problema e pôr fim a esse martírio. Não adianta construirmos mais canis, que são como presídios. Animal nenhum gosta de ficar preso; precisamos garantir a segurança das pessoas, mas também o bem estar deles" , argumentou Santos aos colegas, na discussão da matéria.
O vereador Tadeu Marcos (PSDB), que votou a favor, comentou, no entanto, sobre a necessidade de instrumentos para efetivamente penalizar os donos dos cães. "A castração dos cachorros é uma atitude bem vinda, mas não resolve. O maior problema é a falta de responsabilidade do proprietário desse animal. A questão passa muito mais pelo comportamento humano" , refletiu.
Após a aprovação, Santos informou à reportagem que vai retirar o PL da urgência antes da segunda votação, para que o texto possa ser debatido com entidades de proteção animal e a população em geral. "Vamos conversar e adequar alguns itens, para que a lei tenha melhor condição de ser cumprida" , justifica. O vereador afirma que vai promover um debate público sobre a questão, para recolher sugestões que possam virar emendas ao PL. A previsão é que a reunião aconteça em cerca de 15 a 20 dias (Sammya Araújo/AAN).
Preço de filhote de pit bull despenca
No auge da moda, um filhote de pit bull chegava a custar em torno de R$ 1,5 mil. Mas, hoje, por apenas R$ 100,00 é possível adquirir um. Este é o preço cobrado pelo supervisor operacional Anilton Pires, no bairro São Martinho, região Sul de Campinas.
Dono de um casal de pit bulls - Meg e Titã -, ele optou por vender os filhotes de seus animais. "Não sou criador de cães. Tenho os pit bulls como animais de estimação, mas não posso conservar todos, então resolvi vender os filhotes", explica Pires. Esta é a segunda cria de Meg, que teve nove filhotes. Na primeira, foram sete cachorrinhos, também vendidos. Pires afirma que essa é a última cria do casal, já que o macho foi castrado recentemente.
A dificuldade na venda desses cães é reflexo do aumento no número de ataques aliado à irresponsabilidade dos donos, que têm gerado um fenômeno cruel e arriscado em diversas cidades paulistas: o abandono de cachorros da raça pit bull. Segundo levantamento do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de São Paulo, o número de cães desta raça deixados na rua cresceu 95% entre 2006 e 2007. Se comparados com os dados de 2005 e 2007, o aumento do número de animais abandonados foi de 243%. Em 2005, o CCZ recebeu 180 pit bulls. No ano seguinte, foram 352. Até agosto deste ano, o número já ultrapassava a casa dos 650. Desses, 77 são considerados agressores e foram abandonados por donos com medo. Para o deputado estadual e presidente da União Protetora dos Animais (UPA), Feliciano Nahimy Filho, a avalanche de notícias sobre ataques de pit bulls está criando uma situação de pânico na população.
"O excesso de notícias sobre ataques, sempre mostrando os pit bulls como feras, criou uma neurose coletiva", afirma. Para o deputado, essa é uma visão equivocada. Ele argumenta que o que determina o comportamento do animal não é a raça, mas a forma e condições em que ele é criado. Segundo Nahimy Filho, a UPA, de Campinas, recebe com freqüência denúncias de pit bulls abandonados. Nas últimas semanas, resgatou pelo menos três cães desta raça, além de outros dois que conseguiu alojar com moradores dos bairros onde foram abandonados. Uma fêmea foi atropelada e teve duas patas quebradas, e outra, resgatada há oito dias, estava em péssimas condições de saúde. As duas estão sendo tratadas em uma clínica e são bastante dóceis, segundo o ambientalista.
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