04/09 - 05:48 - Redação
SÃO PAULO – Após a prisão de um dos possíveis envolvidos no atentado ao delegado-adjunto a Divisão Anti-Seqüestro (DAS) do Rio de Janeiro, Alexandre Neto, a Polícia Federal anunciou que participará das investigações do caso. Detido na noite desta segunda-feira, o suspeito seria um sargento da Polícia Militar. As informações são da “Globonews”.
O policial foi identificado com o auxílio de imagens gravadas no ano passado, durante uma discussão que teve com o delegado em uma blitz de trânsito. Os PMs alegaram que seu veículo estava estacionado em local proibido e Neto acabou preso por desacato à autoridade.
Após o incidente, os policiais acabaram sendo processados por envolvimento com o jogo do bicho, devido justamente à investigação do delegado. A verdade é que o costume de Neto, em denunciar policiais implicados em atividades ilícitas fez com que ele cultivasse diversos desafetos.
Durante as investigações da Operação Gladiador, em outubro do ano passado, seu assassinato foi sugerido numa ligação telefônica interceptada. Na conversa, um inspetor investigado se queixava de um dossiê atribuído a Neto sobre o envolvimento do ex-chefe de Polícia Civil e deputado estadual Álvaro Lins e de um grupo de policiais com a máfia dos caça-níqueis.
O delegado afirma que há ligações entre o deputado e um grupo dos “inhos”, formado por contraventores e policiais. Lins negou qualquer envolvimento com o caso e defendeu uma investigação rigorosa do atentado.
A então investigadora da Polícia Civil Marina Maggessi também esteve envolvida no caso. Ela chegou a sugerir, na ocasião, que o assunto fosse resolvido com "um monte de tiros nos cornos dele". No entanto, a hoje deputada federal Marina reiterou que apenas fez uso de uma força de expressão.
"Ele tem um monte de inimigos. Qualquer um pode ter feito isso, aproveitando-se da minha celeuma pública com ele para botar na minha conta. O melhor é que ele não morreu e poderá ajudar nas investigações. Além disso, ele está lotado na delegacia que tem a melhor equipe do Rio. Eles vão conseguir esclarecer esse atentado", afirmou a deputada.
O atentado
Alexandre Neto foi atingido por cinco tiros, na tarde deste domingo, ao sair de seu edifício na Rua Constante Ramos, em Copacabana, na zona sul do Rio.
No momento do ataque, Neto estava no carro descaracterizado da Polícia Civil, segundo informações de policiais militares. O veículo estava estacionado em frente ao edifício onde ele mora. O delegado pegava objetos no carro, quando um outro carro parou à sua frente, fechando a passagem, e o motorista disparou contra o pára-brisa.
O policial foi socorrido por um amigo, militar da reserva da Aeronáutica, e levado para o Hospital Quinta D’Or, onde foi submetido a uma cirurgia na mão e no braço no hospital e não corre risco de vida.
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