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PM suspeito de envolvimento no atentado contra delegado se apresenta à polícia

04/09 - 10:18, atualizada às 17:05 04/09 - Redação

RIO DE JANEIRO – O sargento da PM Márcio de Souza Barbosa, suspeito de envolvimento no atentado contra Alexandre Neto, delegado-adjunto da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS), apresentou-se espontaneamente na noite de segunda-feira à polícia. Na tarde desta terça, Barbosa compareceu à Delegacia de Homicídios, acompanhado por seu advogado, para prestar depoimento sobre o caso.

Segundo a rádio “CBN”, o sargento disse que é inocente e negou participação no atentado. Ele apresentou como álibi o recibo de um remédio, que teria sido comprado no momento do ataque contra o delegado.

Ao contrário do que foi noticiado, as Polícia Civil e Militar confirmam que o sargento se entregou e não foi detido. Barbosa apresentou-se ao 19º BPM (Copacabana), pois seu nome começou a ser noticiado como acusado pelo atentado.

O policial foi identificado em imagens gravadas no ano passado, durante uma discussão que teve com o delegado em uma blitz de trânsito. Os PMs alegaram que o veículo de Alexandre Neto estava estacionado em local proibido e ele acabou preso por desacato à autoridade. Após o incidente, os policiais acabaram sendo processados por envolvimento com o jogo do bicho, devido à investigação do delegado.

Barbosa deixou seu carro e telefone celular e apresentou suas armas ao delegado da Delegacia de Homicídios, Roberto de Souza Cardoso, e se colocou à disposição das autoridades para qualquer investigação.

Estado de saúde

Nesta terça-feira, o delegado Alexandre Neto foi submetido a uma nova cirurgia, que durou mais de quatro horas. Segundo a assessoria do Hospital Quinta D’Or, o delegado teve o dedo médio da mão direita amputado. Os médicos decidiram pela operação reparadora, pois seus movimentos foram bastante comprometidos.

Ele já foi operado no último domingo e tem vários ferimentos causados por perfurações e estilhaços das balas. De acordo com o último boletim médico divulgado, o estado de saúde de Neto é estável. Ele deve receber alta até o fim desta semana.

Alexandre Neto foi atingido por cinco tiros, na tarde deste domingo, ao sair de seu edifício na Rua Constante Ramos, em Copacabana, na zona sul do Rio.

No momento do ataque, Neto estava no carro descaracterizado da Polícia Civil, segundo informações de policiais militares. O veículo estava estacionado em frente ao edifício onde ele mora. O delegado pegava objetos no carro, quando um outro carro parou à sua frente, fechando a passagem, e o motorista disparou contra o pára-brisa. O policial foi socorrido por um amigo, militar da reserva da Aeronáutica.

Investigações

O secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que não há dúvidas de que houve tentativa de execução do delegado da DAS. Beltrame não quis apontar nomes para os acusados, mas afirmou que uma investigação rigorosa será feita para encontrar os autores do crime.

Durante as investigações da Operação Gladiador, em outubro do ano passado, o assassinato de Alexandre Neto foi sugerido numa ligação telefônica interceptada. Na conversa, um inspetor investigado se queixava de um dossiê atribuído a Neto sobre o envolvimento do ex-chefe de Polícia Civil e deputado estadual Álvaro Lins e de um grupo de policiais com a máfia dos caça-níqueis.

O delegado afirma que há ligações entre o deputado e um grupo dos “inhos”, formado por contraventores e policiais. Lins negou qualquer envolvimento com o caso e defendeu uma investigação rigorosa do atentado.

A então investigadora da Polícia Civil Marina Maggessi também esteve envolvida no caso. Ela chegou a sugerir, na ocasião, que o assunto fosse resolvido com "um monte de tiros nos cornos dele". No entanto, a hoje deputada federal Marina reiterou que apenas fez uso de uma força de expressão.

"Ele tem um monte de inimigos. Qualquer um pode ter feito isso, aproveitando-se da minha celeuma pública com ele para botar na minha conta. O melhor é que ele não morreu e poderá ajudar nas investigações. Além disso, ele está lotado na delegacia que tem a melhor equipe do Rio. Eles vão conseguir esclarecer esse atentado", afirmou a deputada.

*Com informações da Agência Estado

 

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