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Famílias entram com pedido para interromper julgamento de promotor

04/09 - 17:30 - Carla Sasso e Juliana Simon, do Último Segundo

SÃO PAULO – As famílias de Diego Modanez e Felipe Siqueira Cunha de Sousa decidiram nesta terça-feira entrar com um pedido de suspensão do processo criminal contra o promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl, acusado de matar Diego e ferir Felipe após saírem de uma festa em Bertioga, litoral paulista, em 2004.


De acordo com o advogado das famílias, Pedro Lazarini, eles irão entrar com esse pedido para esperar a decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) quanto à exclusão ou não de Thales do MP. “Esse é um pedido baseado em uma questão prejudicial, pois é necessário definir o ‘status’ do promotor para determinar se ele será julgado em júri popular ou em um órgão especial”, afirma Lazarini. 

Sendo ainda promotor, Thales ainda tem direito a foro privilegiado, ou seja, seria julgado não pela justiça comum, mas pelos 25 desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. Caso contrário, vai a júri popular, como qualquer cidadão.

O advogado das famílias ainda afirmou que o processo está em sua fase final e que eles irão cumprir a segunda parte da denúncia esta semana com a entrega de todos os documentos que vão instruir o processo. “Essa decisão que tomamos não é contra o MP, mas sim contra um ato administrativo”, afirmou Lazarini. “Nós reconhecemos o esforço dos promotores. Eles fazem um ótimo trabalho”, completou. 

Questionado sobre a decisão tomada pelo Conselho na última segunda-feira, Lazarini disse que a novidade foi recebida com alegria e que eles confiam no trabalho do CNMP. “Vamos aguardar com cautela e serenidade. Confiamos no doutor Rodrigo Rebello Pinho [procurador-geral de Justiça] e no Conselho”, completou. 

Família elogia decisão do Conselho

Para o pai de Felipe Siqueira Cunha de Sousa, que foi ferido por Thales em Bertioga, Wilson Sousa, a notícia da decisão do Conselho foi recebida com muita esperança. “Saímos do julgamento na quarta com uma sensação de desamparo muito grande, mas agora com essa decisão estamos muito satisfeitos”, disse. 

Sousa afirmou ainda que sua família está aliviada e satisfeita. “Nada como um órgão externo para analisar o caso com isenção e tomar uma decisão justa. Acreditamos agora que o caso possa tomar um outro rumo. O rumo que estávamos querendo”, afirmou.

Outro lado

Luis Felipe Marzagão, um dos advogados de Thales Ferri, afirmou que tanto a equipe de defesa quanto o promotor acusado receberam com surpresa a decisão do CNMP. “Soubemos da decisão pela mídia. Não esperávamos que uma nova medida fosse tomada sem nos ouvir”, declarou. 

Para Marzagão, não haveria motivos para a decisão ser tomada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), já que a ação tomada pelo MP de São Paulo “tem absoluta legalidade e não haveria necessidade para controle externo”. “Todos os que votaram pela manutenção ou não de Thales no cargo tiveram uma extrema preocupação em mostrar de forma legal e transparente o curso das decisões”, afirma o advogado. 

O advogado diz desconhecer os motivos para a decisão do CNMP, mas acredita em uma forte pressão da sociedade em relação ao caso. Para ele, a versão de Thales sobre o dia do crime foi omitida da população. “Mesmo as vítimas já reconheceram que Thales deu tiros para o alto e foi perseguido por 100 metros antes de disparar contra Felipe e Diego”, afirma Marzagão reafirmando a versão de legítima defesa por parte do promotor. 

Próximos passos

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), o próximo passo do julgamento é aguardar a decisão do Conselho quanto a exclusão de Thales do cargo. “A defesa dele pode recorrer ao conselho ou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda temos que esperar”, afirmou a assessoria do órgão. 

O CNMP não divulgou nenhuma informação sobre a continuidade do processo e nenhum dos conselheiros quer se manifestar sobre o caso. Segundo a assessoria do órgão, no próximo dia 17 haverá uma nova sessão onde podem ser divulgadas algumas informações. Não há previsão de quanto tempo a análise irá durar. 

As próximas ações da defesa serão recorrer da decisão do CNMP, para que Thales volte a trabalhar e, caso o recurso seja mantido, os advogados recorrerão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia mais sobre:Thales Ferri





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