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Gastos dos 10% mais ricos é 10 vezes maior que dos 40% mais pobres, diz IBGE

29/08 - 10:33, atualizada às 18:10 29/08 - Redação

RIO DE JANEIRO – Os maiores gastos das famílias brasileiras estão concentrados em habitação, alimentação e transporte. O resultado foi revelado, nesta quarta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Perfil das despesas no Brasil, baseado na Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 e que traça um perfil das despesas e rendimento familiares. A pesquisa confirma a distribuição irregular de renda no Brasil e revela que os 10% mais ricos têm gastos 10 vezes maiores que os 40% mais pobres.

O estudo do IBGE traça um perfil das famílias brasileiras, analisando características como inserção no mercado de trabalho, nível de escolaridade, idade, sexo, cor, raça e religião. 

Segundo o instituto, 40% das famílias pobres, com rendimento de até R$758,25, tinham despesa per capita de aproximadamente R$180. Já 10% das famílias mais ricas, com rendimento mensal maior ou igual a R$3.875, 78, tinham gastos per capita dez vezes maior, de R$1.800.

De acordo com a Pesquisa, para as 48,5 milhões de famílias analisadas, as maiores despesas são feitas com o setor de habitação (35,5%), seguido de alimentação (20,75%), transporte (18,44%), assistência à saúde (6,49%) e educação (4,08%).

Desperdício de alimentos

O estudo indica que pessoas que moram sozinhas desperdiçam mais alimentos. Em 2003, elas adquiriram em média, cada uma, 560,68 quilos de comida, o que corresponde a 1,54 quilo de comida por dia. Os números indicam que pessoas que moram sozinhas tendem a adquirir mais alimentos do que o necessário. Isso provavelmente provoca perdas, por exemplo, no caso de produtos com vida mais curta, impondo novas aquisições para reposição com maior rapidez do que em outros arranjos familiares.

A média de compra de alimentos per capita por casais com filhos foi de 324,53 quilos e as mulheres sem cônjuge e com filhos compraram em média de 309,4 quilos de alimentos. A média de compra de alimentos per capita por casais com filhos foi de 324,53 quilos e as mulheres sem cônjuge e com filhos compraram em média 309,4 quilos de alimentos.

Despesas com saúde

A pesquisa constatou que os gastos com assistência à saúde correspondem a aproximadamente 4% a 6% do rendimento das famílias. O IBGE indica que os mais ricos tendem a investir mais em prevenção de doenças, já as famílias mais pobres gastam mais com tratamento das doenças e compra de remédios.

Os mais pobres gastam 76% do orçamento familiar na compra de medicamentos, enquanto os mais ricos gastam 23,7%. As despesas com planos ou seguros de saúde entre as famílias mais pobres representaram 7%, nas de maior renda, esse valor chegou a 37,19%.

Segundo o IBGE, a região Sudeste é a que mais gasta com serviços relacionados à saúde.

Nível de escolaridade

Os dados do instituto indicam que famílias que têm com um integrante com curso superior ganham, em média, mais que o triplo das famílias que não têm ninguém com esse nível de estudo.

Apesar disso, a educação representa apenas 3,3% das despesas totais médias das famílias brasileiras, atrás até dos impostos sobre propriedade e renda (4,4%). As despesas com educação pesam bem menos no total dos gastos das famílias que as principais parcelas, que são habitação (29%), alimentação (16,9%) e transportes (15,1%).

Chefe de família

A pesquisa do IBGE constatou, também, que famílias lideradas por homens têm rendimento mensal 21% maior do que aquelas lideradas por mulheres, confirmando que ainda há desigualdade na remuneração dos sexos feminino e masculino.

Em todas as regiões brasileiras, quando um homem chefiava a família, as despesas com os setores básicos, como educação e saúde, e também de lazer, cultura e fumo eram mais altas. Quando as mulheres são as chefes da família, os gastos com higiene e cuidados pessoais são maiores.

Leia mais sbre: IBGE - pesquisa

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